Psicologia: dificuldades de aprendizagem na infância

Psicóloga Regiane Canoso fala sobre a confluência de fatores que incluem escola, família, professoras e o sistema de relações sociais envolvidos.

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24 Março 2011 | 14h08

As dificuldades de aprendizagem podem ser definidas como um sintoma psicossocial, com pelo menos três constituintes básicos: a criança, a família e a escola. Sua evolução está intimamente relacionada com a estrutura e a dinâmica funcional do sistema familiar, educacional e social no qual a criança está inserida.

Deste modo, as dificuldades de aprendizagem devem ser analisadas e compreendidas não somente como uma falha individual de um sujeito que resiste em adequar-se ao pré-estabelecido, mas como uma confluência de fatores que incluem a escola, a família, os professores e o sistema de relações sociais envolvidos.

O impacto positivo do ambiente familiar sobre o desempenho da criança na escola depende de dois fatores: experiências ativas de aprendizagem que promovem competência cognitiva e um contexto social que oferece autoconfiança e interesse ativo em aprender.

Assim, Maturano constata que as crianças que apresentam algum tipo de dificuldade escolar recebem menos atenção de seus pais, uma vez que as próprias dificuldades ocasionam certo desgaste na relação afetiva. Sendo assim, os pais se voltam para esses filhos quase que exclusivamente para tentar contornar as dificuldades escolares apresentadas na relação com eles.


Embora as dificuldades de aprendizagem estejam ligadas a múltiplos fatores, elas são sobremaneira sustentadas pelo meio familiar, escolar e social, e a forma como estes sistemas, em especial a família, definem essa dificuldade, terá um papel decisivo na evolução e resolução do problema, pois as dificuldades de aprendizagem expressam uma personificação dos conflitos familiares e emocionais que não foram manifestos explicitamente – permanecendo muitas vezes no inconsciente da criança, de forma velada.

Não é importante que os pais nunca cometam erros – isso seria impossível para os seres humanos – mas que os reconheçam como erros. Não é a vida que deve ser detida, mas a nossa inconsciência; primeiramente a do educador, pois cada um é educador do seu próximo tanto para o bem como para o mal. Os homens estão, pois, unidos entre si por laços morais, de modo que “o condutor encaminha os conduzidos, e os conduzidos tentam o condutor” (JUNG).

Sendo assim:

– Todo estudo que se fizer do indivíduo terá sempre que se remeter ao grupo a que ele pertence, à classe social, enfocando a relação dialética homem-sociedade, atentando para os diversos momentos dessa relação.

Para que:

– A criança lentamente vá libertando a consciência individual. Nessa luta pela independência a escola desempenha papel muito importante por ser o primeiro ambiente que a criança encontra fora da família. Os amiguinhos da escola substituem os irmãos, o professor o pai e a professora a mãe. É muito importante que o professor esteja consciente desse seu papel. A atuação do professor no desenvolvimento da personalidade da criança, no mínimo é tão importante como à atividade docente.

Conforme a criança vai crescendo, ela vai construindo, criando, de acordo com suas próprias significações, crenças, costumes, necessidades e possibilidades. Uma forma que a ajude a viver a sua vida e permita que ela seja ela mesma.

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Regiane L. Canoso Lopes é psicóloga, especializada em psicologia junguiana e psicologia hospitalar.