Coluna de Psicologia: Regiane Canoso explica o relacionamento entre o masculino e o feminino

Psicóloga Regiane Canoso fala sobre arquétipos, relacionamentos entre homens e mulheres e seres "andróginos".

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22 Junho 2010 | 11h03

Olá, pessoal. No primeiro encontro falei sobre a escolha, escolha que envolve o homem e a mulher, no seu papel de masculino e feminino, escolha de cada um, cada um dos parceiros envolvidos no relacionamento. Hoje vou falar do relacionamento entre o masculino e o feminino em si.

Antes de iniciarmos o assunto, julgo necessário trazer algumas observações sobre a terminologia aqui utilizada. Ao tratar de gênero, de distinção sexual, usarei o termo homem e mulher. O termo Masculino e Feminino será abordado como forças arquetípicas polares, configurações enérgicas em suas diferentes formas de se relacionar com a vida, com o mundo e com o sexo oposto.

Existem fenômenos que governam nosso modo de sentir e de pensar, que Jung lhes deu o nome de ARQUÉTIPOS, sendo estes, tendências do psiquismo para pré-modelar seus conteúdos em nós sob a forma de imagens ou ideias.

Masculino e feminino são polaridades psíquicas que se complementam para uma percepção mais rica do mundo. O masculino é para o feminino e o feminino é para o masculino o grande desconhecido. A dimensão oculta de cada uma dessas polaridades, no entanto, tem natureza e orientação diferentes.

Marinoff em sua obra “Pergunte à Platão” aborda de forma muito interessante o vínculo de reciprocidade num relacionamento. Ele simboliza o relacionamento da seguinte forma:


Amar alguém (dar) e ser amada por alguém (receber) estão equilibrados num todo maior, em harmonia com o Tão (o Caminho).

Contudo, quando o amor de alguém é recebido, mas não correspondido (Maria se permite ser amada por João, mas não o ama), observamos uma quebra de equilíbrio:

Se nenhum ama o outro poderíamos simbolizar da seguinte forma:

Ou ainda, se um dos parceiros investe muito mais amor do que o outro também se observaria uma desproporção, originando mal estar, devido ao desequilíbrio de investimento:

Outra situação pode ser observada quando existe uma simbiose, quando as duas pessoas são como uma só, cada uma se reduzindo a ser apenas meia pessoa – uma ama a outra a custa de si mesma. Essa pessoa é oca e confia em ser amada pelo outro, com reduzida capacidade de amor próprio e de dar amor de forma saudável. Quando um dos parceiros perde o outro, ele sente que perdeu a si mesmo.

Trata-se de uma aritmética complicada onde 1+1=1 e 2-1=0.

Cada sexo contém em si o outro, onde o homem identifica seu ego com sua masculinidade e seu lado feminino é inconsciente, ao passo que a mulher identifica conscientemente sua feminilidade e inconscientemente permanece seu lado masculino. O ego por ser consciente identifica-se com a qualidade masculina ou feminina do corpo.

A questão relativa à natureza do masculino e do feminino sempre despertou interesse, especialmente agora, quando homens e mulheres tentam compreender a si mesmos, quanto aos papéis dos sexos e aos relacionamentos mútuos no momento que estes estão sendo reexaminados.

Além deste reexame, tanto o homem como a mulher procuram uma melhor compreensão de si mesmo, “masculino e feminino são expressões do existir humano que aparece na dimensão simbólica do ser e estar no mundo”. São modos de existir, de estar presente no mundo, de percepção e relação com a vida com o outro, consigo mesmo, e com o universo como totalidade. Essas essências têm representações simbólicas arcaicas e aparecem na mitologia universal.

Os homens costumam pensar e se julgar apenas como homens. Em contrapartida, as mulheres apenas como mulheres. Mas os fatos psicológicos mostram que todo ser humano é andrógino.

Essa ideia de que todo ser humano é andrógino é antiga e pode ser encontrada em várias tradições. A palavra andrógino vem de duas palavras gregas, andros e gynos, que significa, ¨homem¨ e ¨mulher¨, respectivamente, e refere-se a uma pessoa que combina na sua personalidade tanto elementos masculinos quanto femininos.

Após ter falado da escolha e do relacionamento que envolve o homem e a mulher, no próximo texto vou falar da mulher e do homem enquanto parceiros para procriação. Até lá!

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Psicóloga Regiane Canoso estreia coluna quinzenal no Ciência Diária

Regiane Canoso é psicóloga e estreia sua coluna quinzenal no Ciência Diária a partir de hoje.Regiane L. C. Lopes é psicóloga, especializada em psicologia junguiana e psicologia hospitalar. Assina esta coluna quinzenalmente. Caso tenha sugestões, críticas ou perguntas, mande um e-mail para rcanoso@cienciadiaria.com.br.