Câncer de pâncreas: composto com quimio pode ser arma potente

Experiências com ratos mostram que terapia é mais potente com JP1201: tumor regride e sobrevida de animais aumenta.

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24 Março 2010 | 16h42

Rolf Brekken, autor sênior da pesquisa, afirma que é possível ativar a morte celular de células cancerosas do pâncres por uma combinação potente de quimio e composto sintético. Crédito: UT Southwestern Medical Center.

Rolf Brekken, autor sênior da pesquisa, afirma que é possível ativar a morte celular de células cancerosas do pâncres por uma combinação potente de quimio e composto sintético. Crédito: UT Southwestern Medical Center.

Pesquisadores da UT Southwestern Medical Center, nos EUA, conseguiram reduzir drasticamente tumores de câncer do pâncreas pela combinação de quimioterapia e um composto sintético. O JP 1201, criado em laboratório por pesquisadores da Universidade do Texas, atua como uma substância que imita a ação da apoptose, ou morte celular programada, no organismo. O estudo pode levar ao desenvolvimento de novas terapias contra a doença.

“Esse composto aumentou a eficácia da quimioterapia e a sobrevida melhorou em vários modelos animais com câncer de pâncreas”, diz Rolf Brekken, autor sênior do estudo. “Temos agora várias linhas de evidência em animais que mostram que a combinação tem um efeito potente sobre o câncer de pâncreas, que é uma doença devastadora”.

Segundo os pesquisadores, as experiências em ratos com tumores pancreáticos transplantados mostraram que o câncer reduziu em até 50% durante o tratamento de duas semanas. Os resultados também demonstram um aumento significativo na sobrevida dos animais. A combinação de drogas também foi eficaz em um modelo agressivo de câncer de pâncreas espontâneo em camundongos.

Passo-a-passo

Após “inserir” um tumor nos ratos, os pesquisadores deixaram que ele crescesse significativamente, para então administrar o composto em associação com a gemcitabina – uma droga quimioterápica padrão no tratamento do câncer de pâncreas. Essa associação diminuiu o tumor.

O composto JP 1201 reproduz a ação de uma proteína chamada Smac, que desempenha um papel fundamental no processo normal de autodestruição celular. A morte das células é ativada pelo organismo quando apresenta defeito ou não é mais necessária no organismo. Nas células de câncer esse mecanismo falha. A Smac sintética inibe essas pausa, permitindo que o apoptose ocorra como em um corpo saudável. “Em essência, estamos inibindo um inibidor”, explica Brekken.

Agora, cientistas da universidade estão usando similares do Smac em pesquisas de câncer de mama e de pulmão. Brekken diz que o próximo passo será desenvolver um composto baseado no JP 1201 que possa ser testado em ensaios clínicos.

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