Observações do ESO podem explicar o crescimento de galáxias

A única certeza era a de que as galáxias cresceram nos primeiros bilhões de anos após o Big Bang acompanhando a evolução do universo.

taniager

14 Outubro 2010 | 04h20

A impressão artística mostra uma jovem galáxia, cerca de dois bilhões de anos após o Big Bang, acumulando material de gás hidrogênio e hélio circundante e formando muitas estrelas jovens. Novos resultados do Very Large Telescope do ESO forneceram a primeira evidência direta que a acreção de gás pristine sozinho, sem a necessidade de fusões violentas maiores, pôde abastecer a vigorosa formação estelar e o crescimento de galáxias massivas do universo jovem. Crédito: ESO/L. Calçada.

A impressão artística mostra uma jovem galáxia, cerca de dois bilhões de anos após o Big Bang, acumulando material de gás hidrogênio e hélio circundante e formando muitas estrelas jovens. Novos resultados do Very Large Telescope do ESO forneceram a primeira evidência direta que a acreção de gás pristine sozinho, sem a necessidade de fusões violentas maiores, pôde abastecer a vigorosa formação estelar e o crescimento de galáxias massivas do universo jovem. Crédito: ESO/L. Calçada.

Como crescem as galáxias? A questão intriga astrônomos e a busca de uma resposta é palco de intenso debate. A única certeza é a de que as galáxias cresceram nos primeiros bilhões de anos após o Big Bang acompanhando a evolução do universo, mas o porquê disto é uma história desconhecida.  

Os astrônomos lançaram duas teorias para responder a esta pergunta. A primeira sugere uma fusão entre pequenas galáxias, enquanto a segunda teoria defende a sucção dos gases circundantes pelas galáxias jovens. Agora, novas observações feitas pelo Very Large Telescope (VTL) do Observatório Sul Europeu (ESO) forneceram provas diretas que podem explicar, em parte, o fenômeno.

Ao usar o Very Large Telescope do ESO os astrônomos puderam confirmar que galáxias jovens também puderam se alimentar do fluxo dos gases hélio e hidrogênio que preencheram o universo primordial e com eles formar novas estrelas.   

Giovanni Cresci do Observatório Astrofísico de Arcetri e líder da equipe argumenta que “os novos resultados do VTL são a primeira evidência direta de que a acumulação de gás pristine realmente aconteceu e foi o suficiente para alimentar a formação estelar vigorosa e o crescimento de galáxias massivas no universo jovem”.

 A descoberta terá um impacto importante na nossa compreensão da evolução do universo desde o Big Bang até os dias atuais. Teorias da formação e evolução de galáxias poderão ter de ser reescritas.

O artigo intitulado “Gas accretion in distant galaxies as the origin of chemical abundance gradients” por Cresci et al. pode ser lido na revista Nature de 14 de outubro de 2010.

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