Comportamento obsessivo de ratos é curado com transplante de medula

Trabalho é o primeiro a demonstrar relação direta entre um defeito no sistema imunológico e um distúrbio psquiátrico.

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27 Maio 2010 | 17h07

Rato mutante antes e após três meses depois do transplante. Estudo é o primeiro a mostrar relação direta de causa e efeito entre um defeito do sistema imunológico e um distúrbio psiquiátrico. Crédito: Chen Kwaun Shau, da Universidade de Utah.

Rato mutante antes e após três meses depois do transplante. Estudo é o primeiro a mostrar relação direta de causa e efeito entre um defeito do sistema imunológico e um distúrbio psiquiátrico. Crédito: Chen Kwaun Shau, da Universidade de Utah.

Cientistas já sabiam que um grupo de genes conhecido como Hox estava associado a comportamentos estranhos: animais “mutantes” arrancavam seus próprios pelos e se machucavam a ponto de deixar feridas abertas na pele – oferecendo novas pistas para o transtorno do espectro obsessivo-compulsivo (TOC) em pessoas. Agora, pesquisadores da Universidade de Utah, nos EUA, mostram que este comportamento poderia ser curado pelo transplante de medula óssea. Ao menos em ratos.

O gene Hoxb8 tem um papel muito importante no desenvolvimento de células imunológicas do organismo conhecidas como microglias, que se localizam no cérebro, e são derivadas das células provenientes da medula óssea. Ou seja: ao transplantar medula óssea de ratos saudáveis em ratos mutantes, microglias “normais” chegaram ao cérebro dos roedores – equilibrando o comportamento e permitindo o crescimento dos pelos após três meses.

As microglias sempre estiveram associadas à varredura de problemas no cérebro. Quando algo está errado (como uma infecção ou um derrame), elas mudam de forma e se infiltram na região afetada para “limpar a bagunça”. Entretanto, o trabalho em questão sugere que elas podem fazer algo ainda mais complicado: além de monitorar o cérebro, as microglias também podem modular seus processos. Se elas não funcionam corretamente, as sinapses não ocorrem perfeitamente e a pessoa não age normalmente.

Embora os pesquisadores reforcem que a pesquisa com animais não deverá ser replicada em humanos por diversos riscos envolvidos no procedimento, o trabalho fornece entendimentos mais aprofundados sobre problemas de comportamento. “Temos um forte argumento para a hipótese de que o comportamento patológico excessivo exibido em ratos Hoxb8 mutantes é causado por um defeito na microglia”, ressalta Mario Capecchi, da Universidade de Utah, nos EUA. “Defasagens comportamentais que podem ser corrigidas por transplantes de medula óssea é algo surpreendente”.

Por enquanto, já que não é possível prever os rumos da ciência, a nova descoberta pode indicar a necessidade de melhorar o sistema imunológico para reforçar o cérebro.

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