Composto de pimentão reduz déficit de memória no envelhecimento

Alimentação rica em luteína – composto vegetal encontrado em alguns vegetais – pode reduzir a inflamação no cérebro.

root

13 Outubro 2010 | 12h35

Muitas pesquisas já demonstraram como certos alimentos podem proteger o nosso organismo contra doenças. Agora, pesquisadores da Universidade de Illinois, nos EUA, mostram que uma alimentação rica em luteína – um composto vegetal encontrado em cenouras, pimentões, salsão, azeite, hortelã, alecrim e camomila – pode reduzir a inflamação no cérebro relacionada ao envelhecimento. Desta maneira, uma dieta nutritiva inibe a liberação de moléculas que danificam o órgão, impedindo a evolução de déficits de memória.

Os pesquisadores analisaram os efeitos da luteolina em um modelo de rato em processo de envelhecimento, dando ênfase na observação de microglias, células imunitárias especializadas que se localizam no cérebro e medula espinhal. Uma infecção estimula a microglia a produzir moléculas sinalizadoras, as citocinas, que por sua vez induzem uma série de mudanças químicas no cérebro. Algumas dessas moléculas, no entanto, induzem um “comportamento doentio”: sonolência, perda de apetite, déficit de memória e comportamentos depressivos.

Da mesma maneira, inflamações no cérebro parecem ser um fator chave no desenvolvimento de problemas de memória associados à idade. “Anteriormente, nós descobrimos que durante o envelhecimento normal, as células de microglia tornaram-se desreguladas, produzindo níveis excessivos de citocinas inflamatórias”, explica Rodney Johnson, responsável pelo estudo. “Acreditamos que isso contribui para o envelhecimento cognitivo e atua como fator predisponente para o desenvolvimento de doenças degenerativas”.

O trabalho mostra que células de microglia expostas a uma toxina bacteriana (que induz a produção de citocinas inflamatórias, que podem matar os neurôniuos) não prejudicam o cérebro se antes forem expostas a luteolina. “Os neurônios sobreviveram porque a luteolina inibe a produção de mediadores inflamatórios neurotóxicos”, ressalta Johnson. Neurônios expostos ao composto não produz nenhum efeito benéfico. “Isso demonstrou que a luteolina não protege diretamente os neurônios”, diz o pesquisador. “Ela está fazendo isso ao afetar as células de microglia.

Veja também:

Baixos níveis de testosterona podem ser fator de risco para o Alzheimer
Cérebro processa apenas três objetos em movimento ao mesmo tempo
Jovens obesos com diabetes 2 têm pior desempenho cognitivo
Dieta pobre em metionina pode reverter déficit cognitivo do Alzheimer