Primeira impressão fica, salvo se o contexto for diferente

Novas experiências contradizem uma primeira impressão apenas quando as pessoas se sentem obrigadas a rever seus conceitos.

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18 Janeiro 2011 | 14h55

A primeira impressão é a que fica? Pesquisadores canadenses, belgas e americanos mostraram que isso pode ser realmente verdade. De acordo com um trabalho, novas experiências contradizem uma primeira impressão apenas quando as pessoas se sentem obrigadas a rever seus conceitos. Como resultado, novas experiências influenciam reações só em contextos muito particulares, ao passo que as primeiras impressões tendem a dominar.

“Imagine que você tem um novo colega de trabalho e sua impressão sobre ele não é muito favorável”, explica Bertram Gawronski, da Universidade de Western Ontario. “Algumas semanas depois, você encontra o seu colega em uma festa e percebe que ele é realmente um cara muito legal. Embora você saiba que a sua primeira impressão estava errada, a resposta automática para ele será influenciada por sua nova experiência apenas em contextos similares à festa. Contudo, a primeira impressão ainda irá dominar em outros contextos”.

De acordo com Gawronski, nosso cérebro armazena a esperança de violar experiências como exceções para a regra, de tal forma que a regra é considerada válida exceto para o contexto específico em que foi violada.

Para analisar a persistência das primeiras impressões, a equipe mostrou a participantes do estudo informações positivas e negativas sobre um desconhecido mostrado na tela de um computador. Mais tarde, foram presenteados com novas informações – inconsistentes com as informações anteriores – sobre o mesmo indivíduo. Os pesquisadores mudaram sutilmente a cor de fundo da tela do computador enquanto os participantes formavam uma nova impressão da pessoa. Isso demonstrou que a avaliação dos participantes em relação ao indivíduo só mudava no contexto específico, ou seja, quando a tonalidade mudava.

Além de mostrar que a primeira impressão pode ser questionada em vários contextos diferentes – e que ela pode ir, lentamente, perdendo o seu poder ao ser testada em diversas situações -, o trabalho pode ajudar no tratamento de alguns distúrbios. “Se alguém com reações de fobias a aranhas procura a ajuda de um psicólogo, a terapia terá muito mais sucesso se ela ocorrer em vários contextos diferentes e não apenas em um consultório”, ressalta Gawronski.