Conexões nervosas de ratos são regeneradas após lesões na medula

Estudo dá novas esperanças para o tratamento da paralisia e outras deficiências de funções motoras em seres humanos no futuro.

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09 Agosto 2010 | 11h06

Pesquisadores conseguem reestabelecer conexões nervosas da medula em ratos. Agora, devem avaliar se isso pode realmente recuperar função motora e se mesma abordagem poderá ser usada em humanos.

Pesquisadores conseguem reestabelecer conexões nervosas da medula em ratos. Agora, devem avaliar se isso pode realmente recuperar função motora e se mesma abordagem poderá ser usada em humanos.

Pesquisadores da Universidade da Califórnia em Irvine e San Diego e Harvard, nos EUA, conseguiram pela primeira vez regenerar conexões nervosas que controlam o movimento voluntário após lesão da medula espinhal em roedores. Os resultados dão esperanças para o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas para tratar a paralisia e outras deficiências de funções motoras.

A equipe excluiu uma enzima chamada PTEN (fosfatase e homólogo angiostensina), que controla um caminho molecular chamado de mTOR – regulador chave do crescimento celular. A atividade PTEN é desacelerada cedo durante o desenvolvimento, permitindo que as células se proliferem. Então, a enzima liga quando o crescimento está completo, inibindo o mTOR e a capacidade do organismo se regenerar.

Em 2008, um estudo liderado po Zhigang He, da Harvard, já havia demonstrado que este bloqueio em ratos teria permitido a regeneração de conexões dos olhos e do cérebro após a lesão do nervo óptico. Em parceria com os pesquisadores de outras universidades, buscou verificar se a mesma abordagem poderia promover também a regeneração do nervo lesado em regiões da medula espinhal.

“Até agora, regenerações tão robustas foram impossíveis na medula espinhal, diz Oswald Steward, pesquisador da UCI. “A paralisia e a perda da função da lesão medular têm sido consideradas incuráveis, mas as nossas descobertas abrem caminho para uma potencial terapia para induzir a regeneração de conexões de nervo após uma lesão na medula espinhal em seres humanos”.

Lesões na medula acabam “cortando” as ligações entre o cérebro e a medula espinhal, afetando funções motoras. Um ferimento do tamanho de uma uva pode levar à perda completa da habilidade de se movimentar logo abaixo do ferimento. Por exemplo: uma lesão no pescoço pode causar a paralisia dos ombros até os pés – inclusive o controle de bexiga e intestinos.

“Essas consequências devastadores ocorrem mesmo se a medula espinhal abaixo do nível da lesão estiver intacta”, observa Steward. “Todas estas funções perdidas poderiam ser restauradas, se pudéssemos encontrar uma forma de regenerar as conexões que foram danificadas”.

Os resultados da pesquisa foram publicados na Nature Neuroscience. Agora, os pesquisadores estão analisando se a abordagem poderia recuperar realmente a função motora em ratos com lesão na medula. Outras pesquisas devem explorar o prazo ideal e sistema de distribuição de medicamentos para a terapia.