Consumo de carne bem passada dobra chances de câncer de bexiga

Substância cancerígena é produzida pela interação entre aminoácidos e creatina, que ocorre quando carne é assada em altas temperaturas.

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20 Abril 2010 | 22h09

Bifes, costelas de porco e até mesmo frangos fritos podem aumentar significativamente o risco de câncer de bexiga.

Bifes, costelas de porco e até mesmo frangos fritos podem aumentar significativamente o risco de câncer de bexiga.

Incapaz de trocar uma churrascaria por um no restaurante japonês? Talvez seja hora de reavaliar seus conceitos, ou melhor, a sua boca: o consumo frequente de carne, especialmente carne vermelha bem passada, aumenta o risco de câncer de bexiga. Infelizmente é o que indica um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade do Texas, nos EUA.

O trabalho, realizado com 884 pacientes com câncer de bexiga e 878 pessoas saudáveis, durou 12 anos e analisou idade, gênero e raça. Os participantes foram divididos em grupos conforme o consumo de carne. Os resultados revelaram que o consumo de alimentos com alta concentração de aminas heterocíclicas – uma substância produzida pela interação entre aminoácidos, alicerces das proteínas, e a creatina química, armazenadas nos músculos -, conhecidamente cancerígenas, pode aumentar as chances de desenvolver a doença em até cinco vezes se as pessoas apresentam algumas variantes genéticas.

Em pessoas sem genótipo desfavorável, o risco aumenta duas vezes em relação aos que consomem pouca carne, ou carne mal passada. Além disso, mesmo o consumo de frango e peixe, quando estes são preparados com óleo quente, aumentam significativamente as chances para a doença.

“Esta pesquisa reforça a relação entre a dieta e o câncer”, diz Xifeng Wu, professor do departamento de epidemiologia e autor principal do estudo. “Estes resultados suportam fortemente o que nós suspeitávamos: pessoas que comem muita carne vermelha, muita carne vermelha mal-passada, frita ou assada, parece ter uma probabilidade maior de cancro na bexiga. Isso é agravado quando certos genótipos desfavoráveis atuam na via de metabolismo das aminas heterocíclicas”.

Pesquisas anteriores identificaram 17 tipos de aminas heterocíclicas associadas ao câncer. Outros trabalhos também revelam que homens têm mais probabilidade de desenvolver a doença.

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