Contração celular induz crescimento de vasos que alimentam tumores

Estudo mostra que células chamadas pericitos geram contrações que funcionam como um sinal mecânico para inciar a angiogênese.

root

16 Junho 2010 | 13h41

Pesquisadores mostram que forças mecânicas de células que rodeiam pequenos vasos sanguíneos podem controlar crescimento de novos vasos. Crédito: MIT.

Pesquisadores mostram que forças mecânicas de células que rodeiam pequenos vasos sanguíneos podem controlar crescimento de novos vasos. Crédito: MIT.

Para sobreviver, tumores precisam ser alimentados. Vasos sanguíneos fazem isso. A ideia de interromper o processo de angiogênese – o crescimento de novos vasos – parece promissora faz tempo: desde os anos 1970 pesquisadores tentam cortar o suprimento de sangue. Até agora, nenhuma abordagem foi tão bem sucedida a ponto de representar uma cura para pessoas com câncer. Agora, no entanto, cientistas estão estudando como as contrações nas células vizinhas podem estimular o crescimento de novos vasos.

Uma pesquisa recente realizada por pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT) e Universidade Tufts mostra que células chamadas pericitos, que rodeiam os pequenos vasos sanguíneos, geram contrações. Este movimento pode funcionar como um sinal mecânico para iniciar a angiogênese. Identificar este mecanismo pode ajudar cientistas a desenvolverem medicamentos que promovam a cicatrização ou que bloqueiem o crescimento de novos vasos em tumores ou em pacientes com degeneração macular, por exemplo.

Pericitos na mira


No começo da década de 1980, Ira Herman, um professor da Universidade Tufts e especialista em biologia celular, passou a estudar os pericitos e suas contrações na angiogênese. Contudo, não conseguiu elaborar uma boa maneira de medir as forças geradas no processo ou visualizar como isso afeta as células ao redor.

Trabalhando com Krystyn Van Vliet, professor de ciências de materiais e engenharia do MIT e especialista em microscopia de força atômica, conseguiu relatar a força das contrações dos pericitos, usando um microscópio de força atômica, gerando imagens do processo.

Atualmente, os pesquisadores estão observando como as forças dos pericitos afetam a taxa de crescimento, forma e secreções químicas liberadas no crescimento de células endoteliais. A equipe acredita que seja possível identificar um “interruptor natural” que possa ligar ou desligar a angiogênese de forma bastante específica. A abordagem seria bem sucedida apenas se as drogas pudessem ser entregues especificamente às células-alvo.

Terapias antiangiogênese

Dezenas de proteínas já foram identificadas como fatores de crescimento no processo de angiogênese. Algumas drogas, incluindo a endostatina e angiostatina, podem retardar o crescimento do tumor ao interferir neste grupo de proteínas. Entretanto, a abordagem ainda está sendo testada em ensaios clínicos.

Há pouco tempo a FDA (Food and Drug Administration), liberou nos EUA a utilização do anticorpo bevacizumab – que age nas células endoteliais, responsáveis pelo revestimento de vasos sanguíneos – para alguns tipos de câncer metastático. Isso representou o pontapé inicial para uma era de drogas antiangiogênese.

Veja também:

Nem só de batalha: anticorpos também atuam como enfermeiros
Cientistas bloqueiam diferenciação de células estaminais do câncer
Interferon gama conclama células-tronco do sangue durante infecções