Contrariando a regra: estrela massiva é encontrada isolada

Astrônomos estão surpresos por a estrela massiva VFTS 682 estar isolada e não fazer parte de nenhum aglomerado estelar rico.

taniager

25 Maio 2011 | 11h57

O aglomerado estelar R136 está localizado na nebulosa da Tarântula. A estrela está situada a cerca de 100 anos-luz do aglomerado. Crédito: ESO.

O aglomerado estelar R136 está localizado na nebulosa da Tarântula. A estrela está situada a cerca de 100 anos-luz do aglomerado. Crédito: ESO.

O site Astronomy & Astrophysics acaba de publicar a descoberta de uma estrela muito massiva, isolada na grande nuvem de Magalhães. A estrela denominada VFTS 682 é 150 vezes mais massiva do que o nosso Sol. Astrônomos se surpreenderam por ela estar isolada e não fazer parte de nenhum agrupamento estelar rico, uma vez que acreditam que estrelas muito massivas são formadas no núcleo denso de aglomerados.  O artigo intitulado “The VLT-FLAMES Tarantula Survey. III. A very massive star in apparent isolation from the massive cluster R136” e assinado por J. M. Bestenlehner, J. S.Vink, G. Gräfener, et al foi publicado hoje.

A equipe internacional de astrônomos autora da descoberta está envolvida em uma grande pesquisa sobre a nebulosa da Tarântula no LMC. A região interna e circundante desta nebulosa é um viveiro estelar bem conhecido. A pesquisa realizada com o instrumento FLAMES no ESO/VLT destina-se a estudar estrelas massivas lá. Os novos resultados relativos à estrela VFTS 682 estão entre os primeiros desta pesquisa.

A VFTS 682 já havia sido observada há poucos anos atrás, mas não parecia ser muito massiva.  Agora a equipe mostrou que grande parte da sua luz é absorvida e dispersada pela poeira que a impede de chegar a Terra. Na verdade, a estrela é muito mais brilhante e massiva.

Até o momento, astrônomos acreditavam que estrelas muito massivas (até 300 vezes a massa do Sol) somente poderiam existir no centro de aglomerados estelares densos. Os membros da equipe ficaram muito surpresos pela VFTS 682 situar-se longe de qualquer aglomerado. No entanto, a estrela está perto do rico aglomerado estelar R136, onde estrelas massivas muito semelhantes foram observadas. Uma hipótese para explicar o aparente isolamento desta estrela é que ela pode ter sido ejetada do aglomerado. “Estrela fugitivas” já tinham sido observadas, mas eram todas muito menores. Somente efeitos gravitacionais muito mais fortes poderiam explicar a ejeção da estrela massiva. Por outro lado, os astrônomos têm dificuldade em explicar como a VFTS 682 poderia ter se formado em sua atual posição isolada. Em ambos os casos, ela é um objeto emocionante que desafia as teorias de formação de estrelas massivas.

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