Contrariando a regra: estrelas de nêutrons com campo magnético normal podem ser magnetares

Estrela SGR0418 tem campo magnético normal e fortes emissões de raios gama e X.

taniager

15 Outubro 2010 | 13h24

Crédito: ESO, L. Calçada / ESA, Cristophe Carreau / NASA, CXC, M. Weiss.

Crédito: ESO, L. Calçada / ESA, Cristophe Carreau / NASA, CXC, M. Weiss.

Uma equipe internacional, liderada pelo Conselhoo Superior de Investigacões Científicas (CSIC), Espanha, descobriu que mesmo estrelas de nêutrons com um campo magnético normal podem gerar explosões de raios gama e experimentar grandes picos de luminosidade. 

Até agora, esta atividade só havia sido detectada em estrelas de nêutrons com grandes campos magnéticos externos, conhecidas como magnetares. Os resultados do estudo apontam a necessidade de rever os modelos teóricos sobre a origem desses objetos, que poderiam ser muito mais frequentes do que se pensava. 

Os pesquisadores estudaram por mais de um ano a estrela SGR0418, descoberta em junho do ano passado quando o satélite Fermi detectou uma explosão de raios gama que veio dela. Usando vários satélites da NASA e da ESA, os cientistas concluíram que a estrela tem todas as características de um magnetar (emissões muito fortes de raios gama e X), mas ao contrário do que se sabe até agora, seu período rotacional não diminui e o seu campo magnético na superfície é muito menor. 

Crédito: ESO, L. Calçada / ESA, Cristophe Carreau / NASA, CXC, M. Weiss.

Crédito: ESO, L. Calçada / ESA, Cristophe Carreau / NASA, CXC, M. Weiss.

“Até agora se pensava que estas radiações tão energéticas se deviam ao grande campo magnético tanto interior como exterior da estrela, que provocava o rompimento da capsula estelar e a matéria era projetada carregada de energia X e gama”, explica Nanda Rhea, pesquisadora do CSIC no Instituto de  Ciências do Espaço e pesquisadora principal do estudo. “No entanto, o campo externo é menor do que em outros magnetares e mesmo assim intensas emissões são detectadas, o que nos faz suspeitar que deve haver um campo magnético interno muito maior que aquele da parte externa da estrela (que é onde podemos medir). Isso nos obriga a repensar os modelos e explicações que são usados até agora sobre a origem destes objetos”.

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