Criador da técnica de fertilização in vitro recebe o Nobel da Medicina

Robert Edwards foi agraciado com a mais prestigiada recompensa pelas suas contribuições na área de reprodução humana.

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04 Outubro 2010 | 14h17

O Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina 2010 foi atribuído a Robert G. Edwards pelo desenvolvimento da fecundação in vitro. Crédito: Hamdan Bin Rashid Al Maktoum - nobelprize.org.
O Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina 2010 foi atribuído a Robert G. Edwards pelo desenvolvimento da fecundação in vitro. Crédito: Hamdan Bin Rashid Al Maktoum – nobelprize.org.

O professor Robert Edawards, de 85 anos, professor emérito de Reprodução Humana na Universidade de Cambridge, no Reino Unido, foi agraciado hoje com o Prêmio Nobel de Medicina 2010, a mais prestigiada recompensa nos meios acadêmicos de todo o mundo. Suas realizações tornaram possível o tratamento da infertilidade – um problema de saúde que aflige grande parte da humanidade, incluindo mais de 10% dos casais do planeta.

Edwards, nascido em 1925 em Manchester, foi educado na Universidade de Gales, em Bangor, e na Universidade de Edimburgo, na Escócia, onde se tornou doutor em 1955 com uma tese sobre o desenvolvimento embrionário em camundongos. Em 1963, ingressou na Universidade de Cambridge pela Ford Foundation Research Fellow, do Departamento de Fisiologia, e fundou a clínica Bourn Hall, referência mundial em fertilização in vitro.

O pesquisador começou seus estudos na área de fertilização em 1955. Em 1968, em parceria com o cirurgião ginecológico Patrick Steptoe, passou a realizar os primeiros testes de fertilização em tubos de ensaio (pratos de cultura de células). Em 1970, conseguiu a fertilização em proveta, embora não tenha alcançado sucesso na gravidez propriamente dita por quase uma década.

Finalmente, em 1978 uma gravidez bem sucedida e saudável levou ao nascimento do primeiro bebê de proveta: Louise Brown.

Durante os anos seguintes, Edwards e seus colegas de trabalho refinaram a tecnologia, partilhando o conhecimento com pesquisadores de todo o mundo. Desde então, mais de 4 milhões de crianças já nasceram como resultado da fertilização in vitro. Muitos destes indivíduos já estão adultos e são pais e mães.

Fertilização in vitro

A fertilização in vitro é uma técnica de reprodução assistida que consiste na introdução de um ou mais espermatozoides (um a 100 mil) ao redor de cada óvulo. O objetivo é obter pré-embriões de boa qualidade, que podem ser transferidos então para a cavidade uterina.

Atualmente, é uma terapia utilizada em todo o mundo. Passou, ao longo dos anos, por diversas melhorias. Hoje, é possível que apenas um espermatozoide seja injetado diretamente no óvulo no prato de cultura. Este método tem melhorado o tratamento da infertilidade masculina, além de possibilitar que ovos maduros apropriados sejam identificados por ultrassom e removidos por uma fina seringa – ao invés da laparoscopia.

A fertilização in vitro é uma terapia eficaz e segura. Entre 20 e 30% dos ovos fertilizados levam ao nascimento de uma criança. As complicações podem incluir partos prematuros, embora raros, principalmente quando um único ovo é inserido na mãe. Estudos demonstram que crianças nascidas por meio da técnica são tão saudáveis quanto outras crianças.

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