Crianças com paralisia receberão injeções de células-tronco no cérebro

O estudo terá a participação de 40 pacientes com idade entra dois e 12 anos, cujos pais armazenaram o cordão umbilical.

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12 Fevereiro 2010 | 01h52

Falta de oxigenação no cérebro, traumas e até infecção durante a gravidez podem ocasionar a paralisia cerebral no bebê, afetando a sua habilidade motora por toda a vida

Falta de oxigenação no cérebro, traumas e até infecção durante a gravidez podem ocasionar a paralisia cerebral no bebê, afetando a sua habilidade motora por toda a vida

Pesquisadores da Medical College na Geórgia, EUA, estão conduzindo os primeiros ensaios clínicos para determinar se a aplicação de células-tronco retiradas de sangue do cordão umbilical pode melhorar a qualidade de vida das crianças com paralisia cerebral. O estudo deverá incluir 40 crianças com idade entre dois e 12 anos, cujos pais têm sangue do cordão umbilical armazenado – rico em células-tronco. As células-tronco têm alta capacidade para se dividirem e se transformarem em diferentes tipos de células em todo o corpo.

A paralisia cerebral, causada por uma lesão cerebral ou falta de oxigênio no cérebro antes, durante ou nos primeiros de vida, pode prejudicar o movimento, aprendizagem, audição, visão e habilidades cognitivas. Duas a três em cada mil crianças são afetadas por ela.

Estudos em animais indicam que a aplicação de células-tronco ajuda as células do cérebro lesado a se recuperarem e substituírem células que morreram. “O transplante autólogo de células, em que o beneficiário também é o doador, é a forma mais segura, porque não existe o risco de rejeição do sistema imunológico”, explica James Carroll, professor e chefe da ala de neurologia pediátrica da Escola de Medicina da MCG.

Já que ensaios clínicos controlados ainda não foram realizados, os estudos anteriores mostraram melhora acentuada em crianças com paralisia cerebral após aproximadamente três meses após a aplicação de células retiradas do cordão umbilical.

A pesquisa vai começar com a realização de análises de exames neurológicos feito por pediatras e neurologistas. Metade dos participantes receberá uma aplicação de seu próprio sangue do cordão umbilical e metade receberá placebo. Três meses depois, as crianças serão avaliadas sem os pesquisadores saberem quais receberam o tratamento. Depois, o grupo que não recebeu as células-tronco irá receber uma aplicação real. Elas devem retornar depois de três e seis meses para avaliação.

Os pesquisadores irão avaliar a habilidade motora e neurológica das crianças periodicamente. “O objetivo do estudo não é olhar para as células-tronco como uma possibilidade de cura, mas, sim, para saber se elas poderiam ajudar a mudar o curso deste tipo de lesão cerebral nas crianças”, afirma Carroll.