Criopreservação de tecido ovariano pode ser má ideia para leucemia

Estudo mostra que tecido retirado antes de terapia contra o câncer pode conter células que irão induzir sua volta após reimplante.

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13 Agosto 2010 | 23h20

Pesquisadores analisam e implantam tecidos de ovários congelados de mulheres que tiveram leucemia em ratos, observando que técnica pode ser perigosa.

Pesquisadores analisam e implantam tecidos de ovários congelados de mulheres que tiveram leucemia em ratos, observando que técnica pode ser perigosa.

De acordo com um estudo publicado na revista da Sociedade Americana de Hematologia, Blood, a técnica de criopreservação do tecido ovariano para garantir a fertilidade de mulheres jovens pode não ser segura em pacientes com leucemia. O método envolve a remoção de tecido do ovário e seu congelamento, antes que a pessoa se submeta à quimioterapia agressiva e, em seguida, radioterapia. Uma vez tendo “vencido” o câncer, a mulher poderia ter o tecido reimplantado.

Embora a técnica tenha ajudado mulheres com linfoma e tumores sólidos, o risco em pacientes com linfoma é maior: o próprio tecido congelado já poderia abrigar células malignas que poderiam induzir a recorrência da doença após o reimplante. “Nosso estudo fornece evidências claras de que as células cancerosas em mulheres com leucemias agudas e crônicas podem contaminar os ovários”, explica Marie-Madeleine Dolmans, professor da Universidade Católica de Louvain, em Bruxelas, e autor principal do estudo.

A maioria dos pacientes com leucemia linfoblástica aguda (LLA) são diagnosticados ainda com idade jovem, e a preservação da fertilidade pode ser algo importante. Já que as terapias contra a doença são muito agressivas, o método poderia garantir que “tecidos” permanecessem livres da radio e da quimio.

Para o estudo em questão, a equipe examinou as implicações da técnica em 12 mulheres com leucemia linfoblática aguda, um câncer de rápido crescimento que ataca as células brancas do sangue, e seis mulheres com leucemia mieloide crônica, câncer que progride lentamente na medula óssea. Os participantes tinham entre 2 e 31 anos de idade quando os seus tecidos ovarianos foram criopreservados (entre 1999 e 2008).

Análises apontaram a presença de células cancerígenas no tecido ovariano de 70% dos pacientes com leucemia linfoblástica aguda, e 33% nos pacientes com leucemia mieloide crônica. Para observar melhor ainda os efeitos disso, os pesquisadores então implantaram este tecido em ratos saudáveis. Roedores que receberam tecidos de pacientes com leucemia linfoblástica aguda desenvolveram tumores.

“Dada a nossa descoberta, mais pesquisas são necessárias para desenvolver opções mais seguras para a preservação da fertilidade em pacientes com leucemias agudas e crônicas”, diz Jacques Donnez, co-autor do estudo.