Chá preto pode conter muito mais flúor do que se pensava

Consumo exagerado da bebida ao longo de décadas pode trazer alguns problemas sérios, como a fluorese esquelética avançada.

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14 Julho 2010 | 12h17

Consumo diário de mais de um litro de chá preto ao longo de uma década pode levar a problemas ósseos. Crédito: Wikimedia Commons.

Consumo diário de mais de um litro de chá preto ao longo de uma década pode levar a problemas ósseos. Crédito: Wikimedia Commons.

O chá preto, uma das bebidas mais consumidas no mundo, pode conter concentrações de flúor maiores do que se pensava. De acordo com pesquisadores da Faculdade de Medicina da Geórgia, nos EUA, o teor pode ser de até 9 miligramas por litro. Para consumidores assíduos, a dose consumida poderia ir além dos 20 miligramas diários – definidos como seguros em longo prazo.

O flúor ajuda a prevenir cáries, mas a ingestão excessiva por mais de uma década pode também levar a problemas ósseos. A maioria das pessoas ingere uma quantidade segura de 2 a 3 miligramas por dia, seja pela água fluoretada, creme dental ou alimentação.

Os pesquisadores descobriram que a concentração de flúor no chá preto é maior do que se pensava após análise de dados de quatro pacientes com fluorose esquelética avançada, uma doença causada pelo consumo excessivo de flúor e caracterizada por dores articulares e danos nos ossos. Apesar de ser algo raro, o elo entre estas pessoas foi o consumo de quase 2 litros da bebida por dia nas últimas décadas.

A equipe constatou que a maioria dos testes que medem níveis de flúor deixam de lado o valor que combina com o alumínio para formar fluoreto de alumínio insolúvel – não detectável pelo eletrodo de flúor. Os pesquisadores então compararam o antigo método com a técnica de difusão, que rompe o fluoreto de modo que todo o flúor das amostras de chá possa ser extraído e medido.

Ao comparar sete marcas de chá preto dissolvidas em água deionizada, a equipe constatou que a quantidade de flúor em cada amostra foi até 3,3 vezes maior do que antes calculada.