Curcumina pode potencializar efeitos da quimio contra câncer de cabeça

Composto derivado do tempero curcumina torna células cancerosas mais “sensíveis” aos remédios.

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19 Maio 2011 | 15h26

Thomas Carey, responsável pela pesquisa. Crédito: University of Michigan.

Thomas Carey, responsável pela pesquisa. Crédito: University of Michigan.

Uma das principais razões que tornam o tratamento do câncer de pescoço e cabeça difícil é que as células do tumor se tornam resistentes aos medicamentos. Agora, pesquisadores da Universidade de Michigan, nos EUA, descobriram que um composto derivado do tempero curcumina pode funcionar como um reforço da terapia ao tornar as células cancerosas mais “sensíveis” aos remédios.

Quando os pesquisadores adicionaram o composto, chamado FLLL32, a uma linhagem de células do pescoço e cabeça, foram capazes de reduzir quatro vezes a dose da cisplatina – medicamento de quimioterapia – necessária para matar as células do tumor. O estudo foi publicado esta semana na revista Archives of Otolaryngology – Head and Neck Surgery.

Resistência inimiga

O retorno e propagação da doença geralmente se dá em função da resistência das células do câncer à cisplatina e é uma das razões pela qual a sobrevida dos pacientes não tenha aumentado nas últimas décadas. Uma terapia associada com o FLLL32 poderia sensibilizar as células em nivel molecular para que a cisplatina pudesse cumprir sua função antitumoral.

O medicamento tem como alvo um tipo chave de proteína – a STAT3 – que é observada em níveis altos em pacientes com câncer de pescoço e cabeça, indicando problemas com processos de morte celular. A ativação da STAT3 também está associada a uma resistência maior ao tratamento.

A curcumina é conhecida por inibir esta função da STAT3, embora não seja muito bem absorvida pelo organismo. O composto desenvolvido por uma equipe da Universidade Estadual de Ohio, também nos EUA, pode não ser muito bem absorvido pelo corpo também – apesar de as experiências até agora terem sido feitas apenas com linhas de células e não seres vivos. De qualquer maneira, os pesquisadores de Michigan esperam ser capazes de desenvolver uma nova geração do composto que funcione bem.