Nanopartículas de hera podem criar protetores solares potentes

Nanopartículas obtidas da "seiva" têm a capacidade de absorver e dispersar luz de forma muito mais potente e duradoura.

root

20 Julho 2010 | 14h46

A mesma capacidade que a hera tem de se agarrar – e às vezes até mesmo danificar – o seu muro pode ajudar pessoas a se protegerem contra radiação UV. Um professor de engenharia biomédica da Universidade do Tenesse, Knoxville, nos EUA, descobriu que nanopartículas de hera são quatro vezes mais potentes do que os bloqueadores solares que você vê nas prateleiras.

“A descoberta da aplicação de nanopartículas da hera para a proteção solar foi desencadeada por uma necessidade real”, explica Mingiun Zhang, responsável pela pesquisa. “Enquanto assistia a uma conferência sobre questões de toxicidade na utilização de nanopartículas de metal para protetores solares, eu fiquei pensando ‘por que não tentar naturalmente nanopartículas orgânicas?’”.

O pesquisador especulou que a substância amarelada secretada pela hera para se agarrar a uma superfície poderia conter algumas propriedades interessantes. Examinando o material em um pedaço de silício através de um microscópio atômico, Zhang observou que grupos de nanopartículas (partículas mil vezes mais finas do que o diâmetro de um fio de cabelo humano) poderiam sustentar 2 milhões de vezes o seu próprio peso. Além disso, elas têm a capacidade de absorver e dispersar a luz – processo fundamental nos protetores solares.

“As nanopartículas apresentam propriedades únicas de física e química, devido à relação superfície-volume que lhes permitem absorver e dispersar a luz”, explica Zhang. “O dióxido de titânio e óxido de zinco são usados atualmente para a proteção solar pelo mesmo motivo, mas as nanopartículas da hera são mais uniformes que as nanopartículas de metais e têm propriedades do material original, o que poderia contribuir para uma melhor absorção e liberação da luz”.

A descoberta pode solucionar uma das questões que preocupam cientistas: nanopartículas usadas em protetores solares podem atuar de forma nociva, de forma que óxidos de metal podem parar em órgãos do corpo como o fígado e cérebro. Nanopartículas da hera, além de serem menos tóxicas, têm a capacidade de penetrar na pele humana. São, também, biodegradáveis.

Outra vantagem é que um protetor solar com base em nanopartículas de hera não precisaria ser reaplicado após o contato com água. A substância encontrada na planta funciona como um adesivo mais potente, que não sai com tanta facilidade quando uma pessoa nada, por exemplo. Mais: nanopartículas de hera poderiam levar ao desenvolvimento de protetores solares praticamente invisíveis. Resultado? Adeus aos caras pálidas na praia.

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