Decitabina pode atuar contra leucemia mieloide aguda em idosos

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18 Janeiro 2010 | 16h16

Pesquisa da Washington University School of Medicine em St. Louis dá um novo passo em relação ao tratamento de pacientes idosos com leucemia mieloide aguda, câncer caracterizado pela proliferação rápida de células anormais e malignas acumuladas na medula óssea. Testes realizados em três centros de pesquisa mostram que a decitabina pode ser uma opção de tratamento para esse tipo de paciente. A droga é capaz de reativar genes que foram desativados por células cancerosas.

A leucemia mieloide aguda é caracterizada pela substituição das células normais da medula óssea, resultando em uma queda na contagem de glóbulos vermelhos, plaquetas e de leucócitos normais.

A leucemia mieloide aguda é caracterizada pela substituição das células normais da medula óssea, resultando em uma queda na contagem de glóbulos vermelhos, plaquetas e de leucócitos normais.

Os resultados da pesquisa são animadores porque quase dois terços dos pacientes com leucemia mieloide aguda com mais de 65 anos não recebem tratamento, já que a terapia padrão pode ser arriscada e ineficaz. A taxa de sobrevida é de, em média, apenas um ano e sete meses após o diagnóstico.

Tanto a quimioterapia quanto o transplante de células-tronco podem ser intervenções tóxicas demais para idosos. Além disso, o organismo de uma pessoa mais velha atua de forma diferente, tornando o índice de resposta aos tratamentos convencionais baixo. O risco de recaída é maior e as taxas de cura muito baixas.

A pesquisa foi realizada em três locais: Washington Univesity School of Medicine, Universidade da Califórnia e City of Hope National Medical Center em Duarte. Os pesquisadores testaram a decitabina em 55 pacientes com leucemia mieloide aguda com uma média de 74 anos de idade.

A decitabina pode aumentar a atividade dos genes que foram silenciados em células cancerosas. Ela funciona reduzindo uma parte de DNA afetada pelo grupo metil. Os cientistas pensam que o excesso de metilação (processo natural que ocorre na citosina, uma das quatro bases que compõem o DNA, quando pequenas moléculas chamadas “grupo metil” agem sobre a mesma, tornando o gene inativo) encontrado em células cancerosas desativa genes que normalmente atuam suprimindo o desenvolvimento do tumor.

Todos os pacientes receberam a mesma dose de decitabina por cinco dias consecutivos a cada quatro semanas. Comparado à quimioterapia padrão e transplante de células estaminais, a intervenção foi considerada de baixa intensidade, sendo mais tolerável para pacientes idosos – especialmente aqueles com problemas de acompanhamento médico.

Em 24% dos participantes da pesquisa, as contagens de sangue e medula óssea voltaram ao normal, o que é considerado uma boa resposta ao tratamento. Depois de cerca de quatro períodos e meio a resposta ao tratamento pela decitabina, alguns pacientes tiveram uma resposta completa, com média de sobrevivência de 14 meses.

Agora, os pesquisadores esperam novos resultados da atuação da decitabina. O objetivo é entender melhor como ela atua no organismo, tendo em vista futuras terapias.