Deficiência de ferro no início da gravidez pode ter efeito profundo

Estudo aponta que desenvolvimento do cérebro pode ser comprometido mesmo que a anemia da mãe não seja severa.

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22 Março 2011 | 18h07

A deficiência de ferro no início da gravidez pode ter um efeito profundo e duradouro sobre o desenvolvimento do cérebro da criança, mesmo que não seja grande o suficiente para causar uma anemia severa. É o que indica uma pesquisa realizada pela Universidade de Rochester e publicado na PLoS One. Os resultados do trabalho são importantes, já que obstetras não costumam observar ou tratar deficiências ligeiras ou moderadas de ferro.

Níveis baixos de ferro são comuns: estima-se que entre 35 a 60 por cento das mulheres consideradas saudáveis apresente alguma deficiência. Entre mulheres em idade fértil, uma em cada cinco têm anemia, uma condição mais grave, de acordo com dos dados do National Institutes of Health.

Sabe-se que bebês com deficiência de ferro se desenvolvem mais lentamente, podendo apresentar anormalidades cerebrais, que resultam em problemas de linguagem, aprendizagem e comportamento. Mas, até agora, os pesquisadores não sabiam o grau em que esta deficiência estaria associada às dificuldades e quando o quadro teria maior impacto sobre o sistema nervoso central do bebê durante a gestação.

“O que nos convenceu a realizar este estudo foram nossos dados preliminares sugerindo que células envolvidas na construção do cérebro embrionário durante o primeiro trimestre eram mais sensíveis a baixos níveis de ferro”, explica Margot Mayer Proschel, professor adjunto de genética biomedica da universidade.

Para entender melhor, a equipe procurou obter mais detalhes através de um sistema controlado em um modelo animal, pois não seria viável estudar concentrações de ferro em embriões humanos. Os pesquisadores descobriram que o período crítico começa na semana que antecede a concepção e se estende até o fim do primeiro trimestre. A deficiência de ferro que começa no terceiro trimestre não parece prejudicar o desenvolvimento cerebral.

“Esta informação é muito importante para o atendimento clínico”, diz Monique Ho, colaborador do estudo e professora assistente de obstetrícia, ginecologia e pediatria na universidade. “O pré-natal geralmente envolve a recomendação de um multivitamínico que contém ferro, que é geralmente preescrito após a confirmação da gravidez ou na primeira consulta do pré-natal. Mas nem todas as mulheres têm acesso ao pré-natal, e nem todas as mulheres podem tomas suplementos no início da gravidez, devido aos vômitos”. O monitoramento, portanto, deveria ser realizado mais cedo.

O aspecto mais surpreendente da pesquisa foi constatar que o momento de deficiência de ferro é muito mais importante do que o grau de deficiência. A observação parece também ir contra o senso comum de que a placenta pode sempre minimizar o impacto da deficiência da mãe para o bebê.

and lasting effects on the baby