Bilinguismo em neurônios pode dar insights sobre esquizofrenia

Um único neurônio pode empregar dois modos diferentes de comunicação para compartilhar informações.

taniager

18 Março 2011 | 11h07

Neurônios colinérgicos. Crédito: Universidade de Montreal, Canadá.

Neurônios colinérgicos. Crédito: Universidade de Montreal, Canadá.

Uma forma de “bilinguismo celular” foi descoberta por equipe de pesquisadores das universidades canadenses de Montreal e McGill.  O fenômeno permite a um único neurônio empregar dois modos diferentes de comunicação para compartilhar informações. A descoberta poderia ajudar na identificação dos mecanismos que interrompem a função dos neurônios dopaminérgico, serotoninérgicos e colinérgicos em doenças como a esquizofrenia, a doença de Parkinson e a depressão. O artigo sobre o estudo é de autoria de Louis – Eric Trudeau e Salah El Mestikawy e foi publicado na revista Nature Reviews Neuroscience recentemente.

O estudo esclareceu como muitos neurônios no cérebro são capazes de controlar a atividade cerebral usando simultaneamente dois mensageiros químicos ou neurotransmissores.  Esta atividade é chamada de “co-transmissão”. Trudeau explica que os neurônios do sistema nervoso – no cérebro e no sistema nervoso periférico – são tipicamente caracterizados pelo transmissor principal que utilizam. Por exemplo, os neurônios chamados dopaminérgicos usam dopamina como transmissor e assim comunicam informação importante para muitos fenômenos como a motivação e a aprendizagem.

Segundo Trudeau, a disfunção desses neurônios está envolvida em graves doenças do cérebro, tais como esquizofrenia e doença de Parkinson. Os resultados do estudo demonstraram que os neurônios dopaminérgicos usam glutamato como um segundo transmissor e são, portanto, capazes de transmitir dois tipos de mensagens no cérebro, de acordo com duas escalas de tempo, uma rápida para o glutamato, outra mais lenta para a dopamina.


Já a equipe de Salah El Mestikawy do Instituto Universitário em Saúde Mental Douglas observou o bilinguismo em neurônios cerebrais que usam serotonina, uma população de células que comunica informações importantes para o controle do humor, da agressividade, da impulsividade e da ingestão alimentar. E também, naqueles que usam a acetilcolina, um mensageiro importante para a habilidade motora e a memória, e cujas funções são desbalanceadas na doença de Parkinson pelos medicamentos antipsicóticos e pela dependência de drogas.

Outros trabalhos realizados em colaboração com Åsa Wallen-Mackenzie da Universidade de Uppsala, Suécia, permitem sugerir que a secreção de glutamato pelos neurônios dopaminérgicos poderia, por exemplo, estar envolvida nos efeitos dos psicoestimulantes, como anfetaminas e cocaína, sobre o comportamento.

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