Estudo sobre atuação de enzima pode levar a novas drogas contra o linfoma

Descoberta mostra que as enzimas SHIP e PTEN agem cooperativamente para suprimir o linfoma de células B.

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19 Outubro 2010 | 12h01

Enzimas SHIP e PTEN agem cooperativamente para suprimir o linfoma de células B.

Enzimas SHIP e PTEN agem cooperativamente para suprimir o linfoma de células B.

Pesquisadores do Sanford-Burnham descobriram como a enzima SHIP regula o crescimento de células T em ratos. A descoberta pode revolucionar a forma como os medicamentos contra o linfoma – um câncer que atinge células do sistema imunológico – são desenvolvidos. 

No linfoma, glóbulos brancos se dividem muitas vezes, espalhando-se de forma descontrolada pelo corpo. A doença, no entanto, pode ser surgir a partir de dois tipos de glóbulos brancos: as células T ou as células B. De acordo com o novo estudo, as enzimas SHIP e PTEN agem cooperativamente para suprimir o linfoma de células B. 

“O PTEN normalmente recebe toda a atenção”, explica Robert Rickert, professor e diretor do Programa de Doenças Inflamatórias do instituto. “Mas aqui nós mostramos pela primeira vez que a enzima SHIP é também uma grande supressora de tumores de células B”. 

As células T têm a função de destruir células infectadas. As células B produzem anticorpos para neutralizar as partículas estranhas do organismo. Para manter uma quantidade certa destas células, dando a resposta necessária ao corpo contra algo estranho, as enzimas PTEN e SHIP atuam sobre uma terceira enzima, a PI3K – responsável por promover o crescimento, sobrevivência e proliferação celular. Contudo, sua sinalização é alterada em diversos tipos de câncer. 

Se o PTEN está ausente nas células T, o “amortecedor de PI3K” é removido. As células, então, começam a se multiplicar descontroladamente, e o resultado é o linfoma de células T. Surpreendentemente, o trabalho mostra que células B deficientes tanto na enzima PTEN como na SHIP podem se desenvolver normalmente. Entretanto, em células B de ratos projetados para ter uma deficiência simultânea das duas enzimas, anomalias letais se desenvolvem. 

Partindo desta constatação, os pesquisadores se questionaram se mutações na produção de ambas as enzimas poderiam levar ao linfoma em seres humanos. Um estudo anterior havia demonstrado que inflamações decorrentes de lesões ou infecções reduzem a expressão da SHIP. O novo trabalho sugere que, embora uma mutação de enzimas SHIP pode não causar danos às células B de forma isolada, uma única mutação a mais pode ser um duro golpe no organismo – abrindo as portas para o linfoma. 

“Muitas vezes as pessoas falam sobre um gene relacionado a um câncer”, ressalta Rickert. “Mas o câncer é multigênico – leva vários golpes para transformar uma célula normal em célula anormal. Aqui, temos um modelo que mostra como isso pode ocorrer em células B”. 

A equipe acredita que o estudo apoiará o desenvolvimento de medicamentos contra o linfoma que imitem a atividade inibidora das enzimas PTEN, SHIP e PI3K. “Várias empresas estão produzindo inibidores da PI3K para tratar certos tipos de linfoma”, diz Rickert”. “Acho que estes dados poderão fornecer um novo modelo útil para o estudo pré-clínico do PI3K dependente de células B malignas”.

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