Descoberta sobre células epiteliais dá pistas sobre doenças congênitas

Fator de transcrição Grhl2, que regula a estrutura das "pontes" moleculares que ligam células epiteliais adjacentes, é identificado.

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29 Outubro 2010 | 16h53

Células epiteliais. Crédito: Wikipedia.

Células epiteliais. Crédito: Wikipedia.

Cientistas alemães fizeram novas descobertas sobre o desenvolvimento de células epiteliais e seu conjunto molecular: identificaram um fator de transcrição (grainyhead-like 2, Grhl2), que regula a estrutura das “pontes” moleculares que ligam células epiteliais adjacentes. A equipe demonstrou que o Grhl2 ligado ao DNA regula precisamente a expressão de duas células semelhantes da moléculas juncional – a caderina-E e a claudina 4.

Os resultados podem ajudar na compreensão dos mecanismos de várias doenças. Por exemplo: camundongos deficientes em Grhl2 morrem cedo durente o desenvolvimento embrionário, apresentando defeitos de fechamento do tubo neural – incluindo a espinha bífida, uma doença congênita humana comum, que muitas vezes está ligada à deficiências graves. Pouco se sabe sobre como a doença se desenvolve, e o Grhl2 pode ser um instrumento importante em sua patogênese.

Além disso, os autores admitem a hipótese de que o Grhl2 também pode ter funções importantes em órgãos internos, tais como o rim. As células epiteliais do sistema tubular renal em humanos tem vários quilometros. Este sistema de túbulos renais, junto aos corpúsculos renais, constituem a unidade básica estrutural e funcional dos rins – os néfrons. O rim humano filtra os resíduos de 1700 litros de sangue por dia, dos quais 180 litros são coletados como urina primária e, finalmente, de um a dois litros são excretados pela urina. Os estudos mostram que o Grhl2 é produzido nos segmentos dos néfrons, que são relativamente impermeáveis à água e solutos, de tal forma que ajusta a composição da urina.

O fator de transcrição grainyhead-like 2 (Grhl2) regula a composição molecular do complexo juncional apical do epitélio. Uma disfunção Grhl2 nessas células pode abalar a formação da barreira epitelial e outras características das células e, assim, contribuir para várias doenças, incluindo anomalias congenitas do rim ou o desenvolvimento de hipertensão.

A pesquisa foi liderada por membros do OuMax Delbrück Center for Molecular Medicine (MDC) Berlim-Buch e Experimental and Clinical Research Center (ECRC) do MDC e Charité, em Berlim-Buch.