IGF pode auxiliar na luta contra a atrofia muscular e o câncer

Atuação dos mioblastos é controlada pelo oxigênio. Em níveis normais, IGF promove diferenciação, mas em índices altos, induz à divisão celular.

root

16 Março 2010 | 16h08

Fator de crescimento semelhante à insulina pode ser usado não apenas para o desenvolvimento muscular, como para o tratamento de novas terapias contra o câncer.

Fator de crescimento semelhante à insulina pode ser usado não apenas para o desenvolvimento muscular, como para o tratamento de novas terapias contra o câncer.

Você já deve ter ouvido falar do fator de crescimento semelhante à insulina (IGF) em anúncios que prometem uma recauchutada no corpo. Muitos trabalhos científicos já mostraram a relação existente entre esses polipetídeos e o incremento da massa muscular. Apesar da associação, alguns detalhes sobre sua atuação no organismo ainda eram desconhecidos, mas uma equipe liderada pela Universidade de Michigan, nos EUA, deu um passo além.

Como outros peptídeos e hormônios, o IGF trabalha se conectando aos receptores das células, desencadeando uma série de reações que induzem uma célula a agir de uma determinada maneira. Embora se pense que um hormônio específico sempre obtenha uma mesma resposta de uma célula, isso não ocorre sempre – principalmente no caso do IGF e mioblastos (células imaturas que se desenvolvem em um tecido muscular).

Durante a formação do músculo, a ligação do IGF ao seu receptor pode levar a duas respostas: algumas células serão induzidas a se dividirem, enquanto outras interpretarão o sinal como uma forma de diferenciação (ou seja, transformarem-se em células especializadas do corpo).

“São eventos opostos e mutuamente exclusivos, uma vez que uma célula muscular se divide, não podendo se diferenciar, e outra que se diferencia e nunca poderá se dividir novamente”, explica Cunming Duan, responsável pela pesquisa.

Os pesquisadores parecem ter encontrado a resposta para o mistério: a atuação dos mioblastos é controlada pela disponibilidade de oxigênio. Quando os níveis de oxigênio são normais, o IGF promove a diferenciação das células do músculo. Se os níveis de oxigênio são baixos, o IGF induz à divisão celular.

Uma análise mais aprofundada revelou que baixos índices de oxigênio ativam um intermediário chamado complexo HIF-1, que reprograma a série de eventos responsáveis pela resposta da célula a uma determinação situação.

“Se conseguirmos achar uma forma de afetar a sinalização do IGF, poderemos parar ou reverter a perda muscular”, ressalta Duan. Embora a manipulação do oxigênio nas células seja algo complicado, os pesquisadores acreditam que seja possível trabalhar o HIF-1 de forma a simular uma alteração nos níveis do oxigênio no organismo.

Os resultados podem levar ao desenvolvimento de novos tratamentos para doenças associadas à perda muscular e prevenção de problema que acompanha o envelhecimento. Além disso, em função do IGF estar associado ao crescimento e propagação de tumores malignos, os novos insights podem ter aplicações também na biologia do câncer.

Sabe-se que o IGF pode promover a divisão de células do tumor e sua sobrevivência, e também que os níveis de oxigênio são muitas vezes inferiores no tecido tumoral.