Pesquisadores identificam novo mecanismo cerebral que pode estar associado ao Parkinson

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19 Maio 2010 | 22h25

Neurotransmissores são substâncias químicas produzidas pelos neurônios, células nervosas do corpo responsáveis pelo envio de informações a outras células.

Neurotransmissores são substâncias químicas produzidas pelos neurônios, células nervosas do corpo responsáveis pelo envio de informações a outras células.

Pesquisadores norte-americanos identificaram um caminho até então desconhecido no sistema nervoso da enguia lampreia, que corre em paralelo com o já conhecido circuito de comando locomotor no tronco cerebral de vertebrados tais como aves, peixes e mamíferos. O papel do neurotransmissor associado a este caminho pode sugerir novas abordagens para o tratamento do Parkinson. 

A equipe, liderada por Simon Alford, da Universidade de Illinois em Chiacago, nos EUA, conseguiu identificar como o neurotransmissor muscarina estimula a atividade neural em lampreias de laboratório, induzindo a locomoção. Os pesquisadores concentraram suas atenções em um conjunto de neurônios do tronco cerebral que ordena a saída motora – que permite a locomoção – à medula espinhal.

“Começamos a olhar para este grupo de neurônios, que na lampreia são convenientemente muito grandes, e por isso facilitam a implantação de eletrodos e o seu registro”, explica Alford. “Descobrimos que a excitação da muscarina não atuava sobre essas células, mas sobre um grupo de células até então desconhecido no tronco cerebral”.

Estes neurônios recém-descobertos do tronco cerebral apresentaram uma resposta inusitada para a muscarina: ao invés de apenas ligar os neurônios (como quando uma sinapse ativa um neurônio e o faz disparar), a aplicação de muscarina sobre essas células faz com que elas sejam acionadas e permaneçam ligadas durante um minuto ou mais. Alford ressalta que este período é considerado muito longo para uma reação neurológica.

Tempo suficiente para a locomoção

Os pesquisadores descobriram que o real neurotransmissor do cérebro que ativa os receptores muscarínicos – outro produto químico, a acetilcolina – envia um sinal para estes recém-descobertos neurônios do tronco cerebral, ativando-os e mantendo-os ativos por um minuto ou mais.

A descoberta possibilita uma nova compreender sobre a locomoção animal. “Esse é um sistema para ligar o aparelho locomotor e fazer você caminhar ou correr, de forma muito coordenada, em uma linha reta e sustentar essa locomoção por um tempo considerável”, diz. “Isso simplesmente não era conhecido antes”.

Acetilcolina pelo Parkinson?

O papel do neurotransmissor acetilcolina pode sugerir novas abordagens para o tratamento do Parkinson. Um dos principais sintomas da doença são os tremores e a dificuldade para andar, o que poderia estar associado com a redução da neurotransmissão mediada por acetilcolina no cérebro. Contudo, poucos trabalhos foram focados nos receptores de muscarina do tronco encefálico. 

“Esta pode ser uma descoberta que abre um caminho alternativo em um efeito secundário não bem estudado da doença de Parkinson, porque a ênfase da maioria das pesquisas tem sido a dopamina e os gânglios basais, que são um diferente neurotransmissor e uma diferente região do cérebro”, acrescenta Alford.

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