Mais antigo e supermassivo conglomerado de galáxias descoberto

O conglomerado SPT-CL J0546-5345 equivale a 800 trilhões de vezes o peso do Sol e contém centenas de galáxias.

taniager

13 Outubro 2010 | 13h54

Imagem representativa em cores de infravermelho de um conglomerado de galáxias localizado a sete bilhões de anos luz da Terra e pesando 800 trilhões de sóis. As galáxias com populações de estelares

Imagem representativa em cores de infravermelho de um conglomerado de galáxias localizado a sete bilhões de anos luz da Terra e pesando 800 trilhões de sóis. As galáxias com populações de estelares "velhas", como as elípticas modernas, estão marcadas em amarelo. As galáxias com populações estelares "jovens", como as espirais modernas, estão marcadas com círculos azuis. As imagens foram tiradas com a câmera de infravermelho do telescópio espacial Spitzer e a câmera Mosaic-II do telescópio Blanco de 4 metros no Observatório Interamericano Cerro Tololo. O campo de visão é de 4 x 4 arcminutos. Crédito da imagem de infravermelho: NASA/JPL-Caltech/M. Brodwin (Harvard-Smithsonian CfA). Crédito da imagem óptica: CTIO Blanco 4-m telescope/J. Mohr (LMU Munich).

Um conglomerado de galáxias nunca visto antes acaba de ser descoberto a uma distância de sete bilhões de anos-luz. O denominado SPT-CL J0546-5345 equivale a 800 trilhões de vezes o peso do Sol e contém centenas de galáxias. Em artigo publicado no Astrophysical Journal o autor Mark Brodwin do Centro Smithsonian para Astrofísica da Universidade de Harvard assegura que o conglomerado é o mais massivo já encontrado a esta distância.

Localizado no sul da Constelação do Pintor, o conglomerado apareceu quando o universo tinha a metade de sua idade e o nosso Sistema Solar ainda não existia. Brodwin supõe sua formação antiga durante os primeiros dois bilhões de anos na história do universo devido a grande quantidade de galáxias “velhas” encontradas no conglomerado. Acredita que mesmo quando era jovem, foi quase tão grande quanto o aglomerado Coma nas proximidades. Desde então, ele deve ter crescido cerca de quatro vezes mais. Se ele surgisse hoje, seria um dos mais massivos conglomerados de galáxias no universo.

Conglomerados de galáxias como este podem ser usados para estudar como a matéria escura e a energia escura influencia o crescimento das estruturas cósmicas. Há muito tempo, quando o universo era menor e mais compacto, a gravidade tinha uma influência maior. Era mais fácil para os conglomerados de galáxias crescerem, especialmente nas áreas onde já eram mais densas que seus arredores. Mas, quando o universo se expandiu em um ritmo acelerado devido à energia escura, ele cresceu mais difuso. A energia escura domina agora a força da gravidade e inibe a formação de novos aglomerados de galáxias.

Os dados usados no estudo foram recolhidos do novo telescópio no Polo Sul (SPT) que vasculhou uma área de 2.500 graus quadrados usando uma pequena distorção do plano de fundo das micro-ondas cósmicas – Sunyaev-Zel’dovich – do brilho remanescente do Big Bang. Estas distorções são criadas quando uma radiação de fundo passa através de um conglomerado de galáxias. A pesquisa de levantamento deste efeito tem vantagens significativas sobre outras técnicas de pesquisa, porque funciona tanto para conglomerados muito distantes quanto para os mais próximos. Além disso, fornece medições precisas de suas massas, cruciais para revelar a natureza da energia escura.