Deslocamento de pulgões pode explicar fenômenos complicados

Pesquisa demonstra como deslocamento de pulgões é muito diferente daquele do "voo de Lévy".

taniager

11 Maio 2011 | 12h39

Pulgões em um ramo. Crédito: Royal Holloway, University of London, UK.

Pulgões em um ramo. Crédito: Royal Holloway, University of London, UK.

Quem já não experimentou dar um fim aos pulgões sugando aquela plantinha tão cuidadosamente cultivada no jardim? Outro olhar sobre estes animaizinhos mostra a importância que têm para a natureza. Os cientistas da Royal Holloway da Universidade de Londres e da Universidade de Leicester, Reino Unido, foram mais longe: observaram o deslocamento destes insetos sugadores em busca de alimento e descobriram que apresentam um comportamento muito diferente ao esperado.  O estudo, publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences dos Estados Unidos recentemente, ajuda a entender o comportamento animal e sua evolução.

Antes, acreditava-se que estes animais se movessem de forma muito peculiar chamada “voo de Lévy” ao procurar comida, ou seja, moviam-se em pequenas distâncias na maioria das vezes, e apenas ocasionalmente se moviam a uma distância muito longa. O resultado das observações feitas nos registros de vídeo demonstra que pulgões à procura de alimento não mantêm um padrão complicado de movimento. A tendência é a de vagarem sobre a comida aleatoriamente, da mesma forma como fazem as moléculas inanimadas. Também, alguns tendem a andar muito mais que outros.

Segundo Alla Mashanova, pesquisadora da Faculdade de Ciências biológicas na Royal Holloway, foi a grande variação entre indivíduos – com alguns se movendo muito pouco e outros se deslocando muito – que levou à impressão de que se tratava do “voo de Lévy”.

Os pesquisadores gravaram a extensão do movimento de todos os pulgões e os dados coletados foram usados para construir dois modelos matemáticos para realizar uma análise estatística mais detalhada. Sergei Petrovskiy, do Departamento de Matemática da Universidade de Leicester, surpreendeu-se com a simplicidade dos modelos matemáticos que, segundo ele, poderiam ser usados para explicar muitos fenômenos complicados.

Os pesquisadores afirmam que entender como animais se movimentam é importante, por exemplo, para a caça, para projetar reservas naturais, para prever focos de pragas e compreender a propagação de doenças.

Vincent Jansen da escola de Ciências biológicas na Royal Holloway acredita que a compreensão da variação individual é crucial para interpretar os padrões de movimento coletivo de animais e que a pesquisa poderia abrir as portas para melhor entendimento do comportamento animal e sua evolução.