Dieta pobre em metionina pode reverter déficit cognitivo do Alzheimer

Alimentação saudável pode melhorar algumas deficiências que já ocorrem no cérebro de quem sofre dos primeiros estágios da doença.

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08 Junho 2010 | 20h36

Dieta rica em feijão, carne vermelha e ovos pode acelerar Alzheimer.

Dieta rica em feijão, carne vermelha e ovos pode acelerar Alzheimer.

É o que muita gente esperava escutar: pacientes nos primeiros estágios da doença de Alzheimer podem retardar o processo degenerativo que afeta as capacidades cognitivas e até mesmo reverter os efeitos iniciais por meio de uma dieta saudável. Segundo pesquisadores da Universidade Temple, nos EUA, afirmam que o estilo de vida pode melhorar algumas deficiências que já ocorrem no cérebro.

Estudos anteriores demonstraram uma associação entre dietas ricas em metionina (aminoácido geralmente encontrado em carnes vermelhas, peixes, feijão, ovos, alho, lentinhas e sementes) e um risco maior de desenvolver o Alzheimer. Levando estes dados em consideração, a equipe alimentou um grupo de ratos com uma dieta rica em metionina e outro com alimentação mais saudável. Depois de três meses, separam o grupo da metionina em dois: um continuou a receber altas doses de metionina, o outro foi submetido a uma dieta saudável por mais dois meses.

“No final do estudo, quando olhamos para estes ratos, o que nós encontramos, muito surpresos, foi que a mudança para uma dieta saudável inverteu o declínio cognitivo ocorrido nos três primeiros meses de dieta rica em metionina”, diz Domenico Praticò, responsável pela pesquisa. “Esta melhoria foi associada a menor quantidade de placas amiloides – outro sinal da doença – em seus cérebros”. As funções cognitivas passaram a funcionar normalmente.


“Acreditamos que esta descoberta mostra que, mesmo se você sofrer com os efeitos iniciais do mal de Alzheimer, a mudança para uma dieta saudável que contém menos metionina pode ser útil, na medida em que a capacidade de memória pode ser melhorada”, acrescenta o pesquisador.

De acordo com a equipe, o trabalho mostra que o cérebro tem plasticidade suficiente para reverter condições desfavoráveis – inclusive memórias que, aparentemente, tinham sido perdidas. “Esta associação não irá curá-lo, mas acreditamos que, como vimos neste estudo, será capaz de retardar e até mesmo possivelmente reverter os efeitos do déficit cognitivo”, afirma Praticò.

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