Distanciamento de placas nem sempre aumenta atividade vulcânica

Fenômeno geológico recente na "vizinhança" pode mudar muito a forma como o magma vai ser comportar na rachadura futura.

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17 Junho 2010 | 18h19

Pesquisa explica por que algumas partes do mundo

Pesquisa explica por que algumas partes do mundo "testemunharam" atividade vulcânica maciça e outras não. Crédito: Imperial College London.

A crosta terrestre é dividida em placas que estão em constante movimento. Às vezes, elas colidem e se fundem – ou se quebram, formando novas placas (os continentes da Terra, por exemplo). Até agora, esta atividade sempre esteve associada ao aumento de atividade vulcânica, já que fluxos de lava podem subir durante o movimento. Entretanto, uma pesquisa publicada hoje na Nature, realizada pela Imperial College London, no Reino Unido, mostra que para toda regra há exceção.

O movimento de placa que gerou o que é hoje a América do Norte e Europa, há 54 milhões de anos, causou grande atividade vulcânica. Mas o mesmo não aconteceu durante o processo que deu origem ao atual subcontinente da Índia, ao se “descolar” de Seycheller, 63 milhões de anos atrás.

Para determinar o nível de atividade vulcânica ocorrido em uma falha, pesquisadores avaliavam a temperatura do manto sob a placa. Contudo, nem sempre a história previa de uma rachadura na Terra pode influenciar a atividade vulcânica que irá ocorrer.


No caso da rachadura que criou América do Norte e Europa, a atividade vulcânica realmente aconteceu ao longo da fenda – porque um evento geológico anterior havia atingido a placa, proporcionando um ponto especifico que o manto inferior poderia derreter facilmente. Resultado: formação de magma que irrompeu rapidamente em explosões maciças.

Zona vermelha indica região afetada por fortes erupções que ocorreram quando América do Norte e Europa se

Zona vermelha indica região afetada por fortes erupções que ocorreram quando América do Norte e Europa se "separaram". Crédito: Imperial College London.

Quando a Índia se separou de Seychelles, no entanto, pouca atividade vulcânica ocorreu no fundo ao norte do Oceano Índico, uma vez que uma região próxima teria, 6 milhões de anos antes, “liberado” o magma inferior, resfriando o manto. Quando houve o choque de placas, pouco magma emergiu.

“Extinções em massa, formação de novos continentes e alterações climáticas globais são alguns dos efeitos que podem acontecer quando placas se rompem e causam erupções vulcânicas”, explica Jenny Collier, co-autor do trabalho. “Nosso estudo está ajudando a ver mais claramente alguns dos fatores que levaram a acontecimentos que ajudaram a moldar a Terra há milhões de anos”.

A equipe chegou a essas conclusões após análises no fundo do Oceano Índico para determinar o tipo de rocha lá existente. Os pesquisadores encontraram apenas pequenas quantidades de rochas basálticas (indicadoras de início de atividade vulcânica). Além disso, o time usou novos modelos computacionais para simular o que pode ter ocorrido ao longo do fundo do oceano.

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