Doador de rim vive o mesmo tempo que uma pessoa saudável

Procedimento, além de não afetar o tempo de vida de quem doa, é mais seguro do que a cirurgia para a retirada da vesícula.

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10 Março 2010 | 12h51

Transplantes realizados com órgãos de pessoas vivas tendem a ser mais bem sucedidos.

Transplantes realizados com órgãos de pessoas vivas tendem a ser mais bem sucedidos.

Um estudo realizado pelo Johns Hopkinks com mais de 80 mil doadores de rim vivos nos Estados Unidos mostra que o procedimento é muito seguro e as pessoas que doam o órgão têm o mesmo tempo de vida de uma pessoa saudável. Além disso, a cirurgia parece ser mais segura do que a retirada de uma vesícula.

Os resultados foram publicados no Journal of American Medical Association, confirmando o que médicos têm acreditado há tempos: a doação de rim, que salva a vida do beneficiário, representa pouco risco para o doador.

“Doar um rim é seguro”, afirma o cirurgião especializado em transplantes Dorry L. Segev. O pesquisador ainda diz que uma cirurgia, de modo geral, implica em riscos, mas que a operação para o transplante de rim é mais segura do que qualquer outro procedimento do tipo.


Segev e seus colegas analisaram dados de um registro nacional de 80.347 doadores de rim que vivem nos EUA, entre o período de 1 de abril de 1994 e 31 de março de 2009. Ocorreram 25 mortes nos primeiros 90 dias após a cirurgia de doação ao longo de 15 anos, colocando o risco de morte pela cirurgia em três entre 10 mil casos. Este risco foi um pouco maior em subgrupos que são, geralmente, mais frágeis para a cirurgia: homens e afro-americanos. Mesmo assim,  este risco foi considerado muito inexpressivo. Ao mesmo tempo, o risco de mortalidade cirúrgica na remoção da vesícula biliar é aproximadamente seis vezes maior.

Pela análise, os pesquisadores descobriram que o risco para doadores de rim permaneceu baixo, mesmo com o dobro de transplantes realizados no País. “Não importa o que acontece quando as pessoas doam os rins; em geral, a doação não afeta o resto de suas vidas”, ressalta Segev.

Milhares de pessoas morrem anualmente esperando rins de doadores falecidos. Entretanto, pacientes que recebem órgãos de cadáveres tendem a viver menos do que aqueles que recebem um rim de um doador vivo. Os novos procedimentos envolvendo o transplante hoje em dia também garantem resultados bem mais seguros e promissores.

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