Dormir após processar informações aumenta capacidade de execução

Dormir aprimora nossa capacidade de lembrar de fazer algo no futuro.

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30 Junho 2010 | 18h33

Dormir aprimora nossa capacidade de lembrar de fazer algo no futuro. Crédito: Universidade de Washington em St. Louis.

Dormir aprimora nossa capacidade de lembrar de fazer algo no futuro. Crédito: Universidade de Washington em St. Louis.

Esqueça a ideia de ficar balançando de um lado para o outro da cama, preocupado com as inúmeras coisas que você deve fazer no dia seguinte e não pode esquecer. De acordo com psicólogos da Universidade de Washington em St. Louis, nos EUA, pessoas que dormem após o processamento e armazenamento de memórias realizam o que querem de forma muito mais eficiente do que indivíduos que executam seus planos antes de caírem no sono. Ou seja: um soninho bom fará você lembrar de muitas coisas importantes.

Os pesquisadores demonstraram que o sono melhora a capacidade de lembrar-se de fazer algo no futuro – uma habilidade conhecida como memória prospectiva. O fato de ser ou não bem sucedido em alguma ação dependerá não tanto da intenção, mas são as recordações (lugar, situação ou circunstância) que estimulam este desejo.

A memória prospectiva envolve ações como se lembrar de tomar um remédio, comprar um cartão de Dia das Mães ou trazer o bolo de um aniversário para casa. É a memória que usamos no dia-a-dia, que associa o contexto com a intenção. Significa dizer que quem dorme bem aumenta também a cognição.


Testes de memória

A equipe testou quatro grupos diferentes, cada um com 24 estudantes. Dois funcionaram como grupo de controle – um avaliado pela manhã e outro à noite (a ideia era eliminar a noção de que o relógio biológico estaria envolvido na memória). Um terceiro grupo foi preparado para os testes matinais e testado 12 horas mais tarde, à noite, antes de ir dormir. O quarto grupo aprendeu o teste de rotina à noite, dormiu e depois foi testado 12 horas mais tarde, pela manhã.

Todos foram submetidos a exercícios que envolveram classificação de palavras, decisão lexical e semântica. Os pesquisadores constataram que os participantes que foram testados de manhã, após os exercícios, conseguiram executar as tarefas de memória prospectiva melhor no exame de categoria semântica e de contexto.

A explicação estaria no fato de que a instrução de memória prospectiva foi dada logo após a prática da categoria semântica. Quem dormiu melhor conseguiu se lembrar da intenção de memória prospectiva melhor do que nas demais categorias.

O que o sono faz

“O sono promoveu a lembrança de fazer o teste de memória prospectiva quando um contexto estava presente, mas não quando outro contexto esteve presente”, explica Mark McDaniel, envolvido na pesquisa. “A ideia é que o exame da categoria semântica está fracamente associado com a intenção da memória prospectiva”.

A equipe acredita que o processo de memória prospectiva ocorra durante o sono de ondas lentas – um padrão no início do sono – que envolve a comunicação entre o hipocampo e regiões corticais. “Acreditamos que, durante o sono de ondas lentas, o hipocampo está reativando estas memórias recentemente aprendidas, capturando-as e as colocando nas regiões de armazenamento do cérebro em longo prazo”, explica Michael Scullin, também responsável pelo estudo.

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