Duas enzimas podem reforçar terapia contra câncer de pulmão

Experiências mostram que manipulação de proteínas pode diminuir tumores pela inibição do crescimento celular e aumentar sobrevida.

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29 Março 2010 | 19h54

Experiências com ratos mostram que manipulação de genes pode diminuir tumores e aumentar sobrevida em casos de câncer de pulmão. Crédito: Wikipedia.

Experiências com ratos mostram que manipulação de genes pode diminuir tumores e aumentar sobrevida em casos de câncer de pulmão. Crédito: Wikipedia.

Duas enzimas “relativamente próximas” podem ajudar no desenvolvimento de novas terapias contra o câncer de pulmão. Experiências com ratos transgênicos realizadas por pesquisadores da Sahlgrenska Academy, da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, mostram que é possível inibir o crescimento celular, diminuir tumores e aumentar a sobrevida por meio da manipulação das proteínas Ras e Rho.

Para que essas proteínas funcionem, elas precisam ser modificadas por enzimas FT e GGT. Muitos laboratórios já começaram a desenvolver substâncias que reduzem a atividade dessas duas enzimas, com o intuito de inibir a função das proteínas Ras e Rho, retardando o desenvolvimento da doença. Entretanto, o tratamento com várias substâncias para bloquear essas duas enzimas geralmente não era específico o suficiente para ser eficaz, o que também dificultava a avaliação por pesquisadores do real potencial dessas enzimas para terapias.

“Por esse motivo, desenvolveram estratégias de genética em camundongos transgênicos, para desligar os genes que codificam o FT e o GGT, permitindo investigar se um bloqueio completo dos mesmos poderia inibir o desenvolvimento do câncer de pulmão, e se isso teria outros efeitos sobre o órgão”, explica a pesquisadora Anna-Karin Sjogren.

Os pesquisadores usaram camundongos transgênicos que produzem uma proteína mutante do Ras, que resulta no câncer de pulmão. Primeiro, a produção de FT e GGT no pulmão destes ratos parou quando a equipe desativou os genes relevantes.

“Quando desligamos o gene FT, os ratos desenvolveram menos tumores no pulmão e viveram mais”, explica Meng Liu, co-autor da pesquisa. “Em nível celular, o bloqueio do FT impediu que células tumorais se dividissem. Ao bloquearmos a produção de GGT, vimos os mesmos efeitos: a inibição do crescimento celular, menos tumores e melhora na sobrevida”.

Em experiências em que ambos os genes foram desativados ao mesmo tempo, o número de tumores pulmonares caiu drasticamente, e os ratos viveram bem mais tempo. Isso significa que a ausência dessas duas enzimas não tem qualquer efeito secundário óbvio sobre o órgão, e que as células cancerosas parecem ser mais sensíveis ao tratamento do que as células saudáveis do pulmão. “Nossos resultados mostram que o FT e o GGT são alvos promissores para o tratamento do câncer de pulmão”, ressaltam os pesquisadores. O próximo passo é descobrir se esse bloqueio pode ter efeitos colaterais em outros tecidos do corpo.

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