Leve a sério: a sua felicidade realmente depende da dos outros

Preocupação com pessoas próximas vai além das divisões tradicionais de gênero e devem ser tomadas como uma questão essencial nas políticas.

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15 Abril 2010 | 11h36

Preocupação com as pessoas próximas vai além das divisões tradicionais de gênero e devem ser tomadas como uma questão essencial nas políticas públicas, inclusive, ou entre empregadoresfundamental com as pessoas próximas vai além das divisões tradicionais de gênero e devem ser tomadas como uma questão essencial nas políticas públicas, inclusive, ou entre empregadores. Crédito: Universidade de Cambridge.

Preocupação com as pessoas próximas vai além das divisões tradicionais de gênero e devem ser tomadas como uma questão essencial nas políticas públicas, inclusive, ou entre empregadores. Crédito: Universidade de Cambridge.

A frase “a minha felicidade depende da sua” nunca foi tão verdadeira. Sociólogos da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, descobriram que a afirmação é particularmente expressiva entre os homens. Questionados sobre o que afeta a qualidade de vida, muitos associaram fortemente a felicidade com o bem-estar das famílias e entes queridos.

O estudo compilou opiniões de mais de 10 mil pessoas. As respostas parecem confirmar os estereótipos de gênero (de acordo com o sexo), com mais homens citando “finanças” em associação ao bem-estar e mulheres na maioria das vezes relacionando a família. Uma análise mais atenta, entretanto, revela que muitos entrevistados relacionavam sua felicidade com a das pessoas mais próximas, mas a ideia era passada ao entrevistador com o “idioma do gênero”.

Os homens, por exemplo, muitas vezes relacionaram segurança financeira com o bem-estar, já que se assumem como o “ganha pão” da família. Da mesma maneira, as mulheres geralmente mencionaram a própria família, porque se sentiam responsáveis pelos principais cuidados tanto das crianças como dos idosos.


A importância dos outros na determinação do bem-estar também parece se tornar mais forte ao longo do tempo, quando as pessoas ficam responsáveis por mais coisas, ao entrar em novos relacionamentos de longo prazo, tornando-se pais ou avós.

Os pesquisadores argumentam que essa preocupação fundamental com as pessoas próximas vai além das divisões tradicionais de gênero e devem ser tomadas como uma questão essencial nas políticas públicas, inclusive, ou entre empregadores. É preciso abordar a questão do equilíbrio de vida das pessoas.

“Homens e mulheres podem enxergar a felicidade de formas diferentes, mas quando você analisar mais a fundo e olhar para a natureza de suas percepções, você percebe que em ambos os casos o seu bem-estar está intimamente ligado ao dos outros”, explica Jacqueline Scott, responsável pelo estudo. “Em certo sentido, é óbvio, mas isso é completamente ignorado. (…) Nossa pesquisa sugere que mais deve ser feito para apoiar as ações de homens e mulheres no cuidado com os outros, porque isso vai trazer benefícios e qualidade de vida para todos”.