"Efeito borboleta" mostra como o cérebro funciona em meio ao "caos"

Alteração em apenas um neurônio é capaz de desencadear um efeito cascata no cérebro, que "reage" ao excesso de informação.

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30 Junho 2010 | 16h35

Alteração em apenas um neurônio é capaz de desencadear um efeito cascata no cérebro, que

Alteração em apenas um neurônio é capaz de desencadear um efeito cascata no cérebro, que "reage" ao excesso de informação "ignorando" o que parece ser inútil. Crédito: UCL.

Cientistas da Universidade College London, no Reino Unido, mostraram que o que está dentro da sua cabeça pode, muitas vezes, não ser tão importante assim – mas faz um barulho danado. O chamado “efeito borboleta”, pelo qual o movimento de uma asa de um inseto no Brasil poderia definir a proporção de um tornado nos EUA, foi testado dentro da caixola. E o resultado, surpreendente.

A equipe causou uma pequena perturbação no cérebro de um rato – o equivalente neural de uma asa de borboleta batendo no mundo – para observar o que acontecia com a atividade cerebral como um todo. A questão era saber se isso era capaz de aumentar, acionar um efeito em cadeia (afetando o resto do cérebro) ou levar o mesmo a morrer.

Os pesquisadores constataram que o feito teve um grande efeito multiplicador: a perturbação de apenas um ponto específico, alterando apenas um neurônio do cérebro, causou cerca de 30 novos pontos neurais abalados, que passaram o ocorrido adiante, para mais 30 neurônios – e assim por diante. A equipe estima que a perturbação de um ponto afetou milhões de neurônios no cérebro. Efeito cascata.


“Este resultado indica que a variabilidade que vemos no cérebro pode ser realmente devido ao ruído, e representa uma característica fundamental da função cerebral normal”, diz Mickey London, do Instituto Wolfson de Pesquisa Biomédica da UCL.

Mas o que isso significa? De acordo com os pesquisadores, a experiência mostra que o cérebro é “pra lá” de barulhento, embora tenha uma capacidade incrível de realizar inúmeras tarefas complicadas com velocidade e precisão. O segredo disso é uma estratégia chamada “taxa de código” – pela qual o cérebro é capaz de identificar, na porção total de informação, qual é utilizável. Os neurônios consideram a atividade do conjunto, mas ignoram a variabilidade individual, ou ruído produzido por eles. Quanto mais informação, mais barulhento.

O artigo sobre o trabalho foi publicado hoje na Nature.

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