Efeito mexilhão: comunicação no mar é maior do que se imaginava

Vida marinha se comunica por milhares de quilômetros, colocando em pauta a gestão da pesca e práticas atuais de preservação.

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04 Maio 2010 | 13h19

Vida marinha pode se comunicar por milhares de quilômetros – colocando em pauta a gestão da pesca e as práticas atuais de preservação de ecossistemas. Crédito: McGill University.

Vida marinha pode se comunicar por milhares de quilômetros – colocando em pauta a gestão da pesca e as práticas atuais de preservação de ecossistemas. Crédito: McGill University.

O que você faz neste cantinho do mar pode afetar o lado de lá, de alguma maneira. Uma pesquisa conduzida pelo biólogo Frédéric Guichard, da Universidade McGill, no Canadá, mostra que a vida marinha pode se comunicar por milhares de quilômetros – colocando em pauta a gestão da pesca e as práticas atuais de preservação de ecossistemas. Tudo partiu da análise de mexilhões.

“Se eu matar mexilhões em San Diego, isso vai ter um impacto em Seattle”, explica Guichard. “Sabemos agora que as populações estão ligadas”. Usando modelos matemáticos e dados de populações naturais, a equipe de pesquisadores constatou algo similar ao chamado “efeito borboleta”: ações de um indivíduo podem causar uma série de reações em cadeia – no caso dos mexilhões, isso pode determinar a liberação de larvas ou a morte.

“As práticas atuais estão baseadas no conhecimento que um mexilhão pode viajar mais do que 100 quilômetros em sua vida, então os esforços são focados em áreas locais, na crença de que podem controlar as populações”, ressalta Guichard.

Os princípios da descoberta devem ser aplicáveis a outras espécies. Uma abordagem baseada nisso pode redesenhar reservas marinhas e a gestão da pesca no mundo todo.