Elementos voláteis sugerem presença disseminada de água na Lua

Análise de amostras trazidas da Lua pela Apollo 14 determina elementos voláteis semelhantes aos terrestres em mineral de fosfato de cálcio.

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21 Julho 2010 | 16h19

Imagem microscópica de amostra lunar identifica elementos voláteis que sugerem presença mais disseminada de água na Lua. Crédito: University of Tennessee.

Imagem microscópica de amostra lunar identifica elementos voláteis que sugerem presença mais disseminada de água na Lua. Crédito: University of Tennessee.

Pesquisadores da Universidade de Tennessee, Knoxville, nos EUA, afirmam que a água na Lua é mais generalizada do que se supõe. Tanto na superfície, como no interior, as características se assemelham a águas dos sistemas vulcânicos da Terra. Análises de amostras de rochas trazidas na missão Apollo podem confirmar a teoria.

Antes, acreditava-se que o orvalho lunar – águas observadas nas camadas superiores do solo – era proveniente de ventos solares, resultado do hidrogênio trazido do espaço com o oxigênio da Lua. Entretanto, os pesquisadores afirmam que a água detectada, na verdade, tem origem interna. Ela pode ter sido deixada pelo impacto de um cometa (que contém gelo), por exemplo, durante ou após a formação da Lua e de nosso planeta.

A presença de vulcões na Lua há 4 bilhões de anos dá o indício de que a água pode, realmente, ter vindo de dentro: na Terra, a dinâmica de um vulcão é basicamente impulsionada por água. Ao analisar amostras de rochas basálticas trazidas da Lua pela missão Apollo 14 em 1971, pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Califórnia em Pasadena conseguiram determinar elementos voláteis em mineral de fosfato de cálcio, muito semelhantes aos encontrados no mesmo mineral terrestre.

De acordo com os cientistas, os resultados são uma forte evidência de que haja água no interior da Lua, de onde algumas rochas lunares foram derivadas. Isso agita a discussão acerca de como  tudo foi formado. Uma corrente acredita que o nosso planeta, em tempos primordiais, teria sido atingido por um planeta do tamanho de Marte. A nuvem de partículas decorrentes do impacto se congelou para formar a Lua. Desta maneira, ela seria desprovida de elementos altamente voláteis como o hidrogênio e cloro.

Além de propor uma reavaliação desta teoria, os resultados também dão indícios que a ideia de habitar a Lua não é tão absurda assim – embora extremamente complexa e cara.

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