Colisões gigantes podem ter formado disco de poeira em torno de estrelas

Uma enorme quantidade de poeira foi detectada perto de órbita de estrelas pelo telescópio espacial Spitzer, da NASA, intrigando cientistas.

root

23 Agosto 2010 | 21h41

Concepção artística mostra uma colisão iminente planetário em torno de um par de estrelas duplas. Crédito da imagem: NASA/JPL- Caltech.

Concepção artística mostra uma colisão iminente planetário em torno de um par de estrelas duplas. Crédito da imagem: NASA/JPL- Caltech.

Uma enorme quantidade de poeira ao redor de estrelas binárias foi detectada perto de órbita pelo telescópio espacial Spitzer, da NASA, intrigando cientistas. De onde vem a poeira? De acordo com os astrônomos, isso poderia ser consequência de gigantes colisões planetárias.

“Isso é ficção científica na vida real”, diz Jeremy Drake, do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica em Cambridge e principal pesquisador do trabalho. “Nossos dados nos dizem que planetas nesses sistemas podem não ser muito sortudos – colisões podem ser comuns. É teoricamente possível que planetas habitáveis possam existir em torno desses tipos de estrela, então se acontecer de haver qualquer tipo de vida lá, ela poderia ser condenada”.

Concepção artística mostra um par de estrelas apertado e um disco de poeira ao redor - muito provavelmente destroços de colisão entre planetas. Crédito da imagem: NASA/JPL- Caltech.

Concepção artística mostra um par de estrelas apertado e um disco de poeira ao redor - muito provavelmente destroços de colisão entre planetas. Crédito da imagem: NASA/JPL- Caltech.

Estas estrelas binárias – nomeadas de RS Canum Venaticorums – estão separadas por uma distância de pouco mais de 3 milhões de quilômetros, ou seja, 2% da distância entre a Terra e o Sol. Os pares orbitam um em torno do outro em questão de dias, com um lado de cada estrela sempre apontado para o outro.

Estrelas muito unidas são semelhantes ao Sol em tamanho e têm, provavelmente, cerca de um bilhão (ou alguns bilhões) de anos – aproximadamente a idade do Sol quando a vida evoluiu na Terra. Mas aquelas estrelas giram bem mais rápido, resultando em campos magnéticos poderosos e gigantescas manchas escuras que condicionam fortes atividades dos ventos estelares. Como consequência, o caos é consagrado: forças gravitacionais são modificadas e os objetos podem ser movimentados a ponto de colidirem uns com os outros.

Já que neste tipo de sistema a poeira geralmente é espalhada e dissipada pelo universo em função da idade das estrelas, os pesquisadores supõem que algo – mais provavelmente uma colisão de planetas – pode estar produzindo os discos de poeira. De qualquer maneira, a equipe concorda: há algo de muito caótico acontecendo por lá.

Veja também:

Telescópio Hubble ajuda a desvendar mistérios recentes sobre Júpiter
Geofísicos mostram que Terra e Lua são mais novas do que se acreditava
Incrível explosão de raios-x “cega” telescópio espacial
Spitzer pode esclarecer como estrelas binárias são formadas
Estudo de nova classe de supernovas pode explicar cálcio dos ossos

Leia mais sobre: Astronomia.