Células do cérebro são obtidas a partir de células-tronco do sistema periférico

Pesquisadores conseguiram obter células do cérebro e medula espinhal a partir de células-tronco do sistema nervoso periférico.

root

12 Maio 2011 | 14h56

Crédito: MPI for Brain Research

Crédito: MPI for Brain Research

Pesquisadores do Instituto Max-Planck conseguiram obter células do cérebro e medula espinhal a partir de células-tronco do sistema nervoso periférico. A equipe descobriu que células-tronco periféricas mantidas sob condições de crescimento definidas geram oligodendrócitos – responsáveis pela formação da camada de mielina que envolve os neurônios presentes no cérebro e medula espinhal.

O sistema nervoso dos mamíferos consiste em um sistema central, composto por cérebro e medula espinhal, e periférico, composto por nervos e gânglios sensoriais. Embora os dois sistemas sejam intimamente interligados, diferem anatomicamente e são formados por diferentes tipos de células. O sistema nervoso periférico é originado por células precursoras do embrião – chamadas de crista neural. Acreditava-se até então que as células-tronco da crista neural poderiam gerar neurônios e células de sustentação do sistema nervoso periférico, conhecidas como gliais, mas não as células do sistema nervoso central.

Condições ambientais determinam claramente o tipo de célula em que as células-tronco da crista neural se desenvolvem. Sob novas condições, estas mesmas células-tronco podem gerar também élulas do sistema nervoso central. No caso desta pesquisa, a equipe expôs células-tronco do sistema periférico de embriões de ratos ou ratos recém-nascidos a diferentes condições de cultivo. Além de neurônios, células-tronco da crista neural também se desenvolveram em diferentes tipos de células gliais do sistema nervoso central, incluindo oligodendrócitos e astrócitos.

“O meio de cultura reprograma as células-tronco da crista neural de tal forma que elas mudam a sua identidade”, explica Hermann Roher, do Max-Planck Institute for Brain Research. “Isso funcionou sem modificação genética das células”. Os fatores ambientais, do meio de cultura, claramente ativaram um programa genético diferente. No entanto, os pesquisadores ainda não sabem claramente quais sejam estes fatores, embora acreditem que o fator de crescimento fibroblástico (FGF) tenha um importante papel nesta transformação.