Escaneamento mostra como cérebro armazena memórias

Pesquisa mostra que o cerebelo pode armazenar memórias importantes para habilidades mentais de interpretação de sinais de luz.

taniager

09 Fevereiro 2011 | 11h51

Um escaneamento MRI do cérebro humano. Crédito: Royal Holloway/ University of London.

Um escaneamento MRI do cérebro humano. Crédito: Royal Holloway/ University of London.

Os movimentos se tornam qualificados e automáticos com a prática para que tarefas possam ser realizadas, como andar de bicicleta, sem muito esforço mental ou atenção. Uma nova pesquisa realizada por cientistas da Universidade de Londres, Reino Unido, fornece evidências de que o cerebelo, uma parte do cérebro usada para armazenar memórias em movimentos qualificados, também poderia armazenar memórias importantes para habilidades mentais como, por exemplo, as regras usadas para interpretar os sinais de luz de tráfego.

O córtex pré-frontal, no lobo frontal, usa a atenção para a resolução de problemas de forma a estabelecer as regras corretas. A pesquisa levanta a possibilidade de que o cerebelo, em seguida, aprende a usá-las habilmente com pouca atenção consciente, liberando o córtex pré-frontal para direcionar a atenção para problemas novos.

O artigo “Cerebellar Plasticity and the Automation of First-Order Rules “ publicado na revista Journal of Neuroscience hoje, relata que o mapeamento cerebral  foi utilizado para digitalizar o cérebro de  voluntários durante a aprendizagem, e que em uma parte do cerebelo, a qual se sabe estar conectada com o córtex pré-frontal, a atividade mudou de uma prática experimental para a próxima. A taxa de mudança foi mais rápida para aquelas regras que se tornaram automáticas. Após a prática, os voluntários usaram as regras simples com rapidez e precisão mesmo quando suas atenções eram desviadas para outra tarefa executada ao mesmo tempo.

Segundo Narender Ramnani, coautor do estudo no departamento de psicologia na Royal Holloway dessa universidade, “o estudo adiciona as bases para a compreensão dos défices cognitivos em paciente com dano cerebelar e melhora as estratégias para a sua reabilitação. Este estudo também levanta a possibilidade de que o cerebelo possa ser empregado para o uso hábil, automático e inconsciente de regras gramaticais e matemáticas”.