Estatinas podem reduzir risco de recorrência de câncer de próstata

Chance de câncer de próstata "voltar" após prostatectomia radical cai 30% em pacientes que usam medicamentos de controle do colesterol.

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28 Junho 2010 | 15h31

Entre os homens que tomavam 20mg de sinvastatina por dia o risco foi reduzido em 43%. Pacientes que administravam uma concentração maior tiveram as chances reduzidas em até 50%.

Entre os homens que tomavam 20mg de sinvastatina por dia o risco foi reduzido em 43%. Pacientes que administravam uma concentração maior tiveram as chances reduzidas em até 50%.

O risco do câncer de próstata voltar depois de uma cirurgia é 30% menor em homens que usam estatinas para diminuir o colesterol. É o que apontam pesquisadores da Universidade Duke, nos EUA.

“Estudos anteriores demonstraram que as estatinas possuem propriedades anticâncer, mas não se sabe claramente quando é melhor usá-las ou até mesmo se elas funcionam”, explica Stephen Freedland, autor sênior do estudo. Os resultados da pesquisa mostram que as estatinas têm, sim, um papel importante no retardo do crescimento e progressão do câncer de próstata.

Os pesquisadores examinaram registros de 1.319 homens submetidos a prostatectomia radical. A equipe observou que 18% dos homens – 236 – tomavam estatinas no período em que fizeram a cirurgia. Então, os pacientes foram acompanhados, de forma que os cientistas pudessem medir as taxas de recorrência (medida pelo aumento leve nos níveis de PSA).

Os resultados mostraram que 304 homens tiveram aumento do PSA, incluindo 37 (16%) dos usuários de estatinas, e 267 (25%) de não-usuários. Análises de várias características clínicas e patológicas entre os dois grupos revelaram que a estatina reduziu o risco de recorrência em 30% dos pacientes.

Quanto mais, melhor?

Entre os homens que tomavam 20mg de sinvastatina por dia o risco foi reduzido em 43%. Pacientes que administravam uma concentração maior tiveram as chances reduzidas em até 50%.

Apesar dos resultados, os pesquisadores não excluem a possibilidade de tipos específicos (com mais tendência a altas taxas de colesterol) serem menos propensos à recorrência do câncer – independente do uso das estatinas.

“Estes resultados são interessantes, mas precisamos abordá-los com alguma cautela”, ressalta Robert Hamilton, urologista da Universidade de Toronto e autor principal do estudo. “Por exemplo, nós não sabemos a dieta, exercícios ou hábito de fumar destes hímens. Portanto, não é totalmente claro se o menor risco detectado está relacionado a estatinas isoladamente – ou outros fatores que não fomos capazes de medir”.