Estrela superveloz está se deslocando do centro para fora da Via Láctea

Pesquisadores da Universidade de Michigan mostram a primeira evidência de que estrelas supervelozes partem do centro de galáxias.

taniager

22 Julho 2010 | 17h35

Nesta ilustração, a estrela quente e azul HE 0437-5439 foi lançada para fora do centro da Via Láctea com velocidade suficiente para escapar da força gravitacional da galáxia. O proscrito estelar é disparado para a periferia distante da Via Láctea em 2,5 milhões de quilômetros por hora, bem acima do disco da galáxia, cerca de 200 mil anos-luz do centro. A estrela está destinada a vagar pelo espaço intergaláctico. Crédito: NASA, ESA, e G. Bacon.

Nesta ilustração, a estrela quente e azul HE 0437-5439 foi lançada para fora do centro da Via Láctea com velocidade suficiente para escapar da força gravitacional da galáxia. O proscrito estelar é disparado para a periferia distante da Via Láctea em 2,5 milhões de quilômetros por hora, bem acima do disco da galáxia, cerca de 200 mil anos-luz do centro. A estrela está destinada a vagar pelo espaço intergaláctico. Crédito: NASA, ESA, e G. Bacon.

Uma estrela com “hipervelocidade” está se deslocando do centro da Via Láctea para fora da galáxia. Os astrônomos da Universidade de Michigan constataram que a estrela corre a uma velocidade de 2,5 milhões de quilômetros por hora, velocidade cinco vezes maior que a da maioria das estrelas. Seu trajeto é a primeira evidência de que estrelas supervelozes partem do centro de galáxias.  O artigo foi aceito pelo Astrophysical Journal Letters.

A estrela denominada HE 0437-5439, localizada no hemisfério sul da galáxia, foi detectada pelo telescópio espacial Hubble. Por meio dos dados obtidos, os astrônomos puderam traçar sua trajetória e origem.   

Estrelas supervelozes foram descobertas há cinco anos e estão escapando de suas galáxias com velocidades maiores que o limite da velocidade estelar calculado por astrofísicos. Em teoria, o fenômeno somente poderia ocorrer se estas estrelas estivessem sendo chutadas de regiões muito próximas a buracos negros, empurradas violentamente para fora das galáxias de uma forma específica que envolve outra estrela ou objeto na ação. O que quer dizer uma interação de três corpos. “O buraco negro quebra um sistema binário ou terciário, captura um dos três elementos e ejeta os demais para fora”, explicou Oleg Gnedin, professor do Departamento de Astronomia.

Os astrônomos estimam que a HE 0437-5439 levou 100 milhões de anos para se deslocar do centro até sua posição atual. Por causa deste espaço de tempo, eles acreditavam que a estrela não poderia ter se originado no centro da Via Láctea.  Também, pelo seu tamanho e composição, eles supunham que ela teria se apagado após 20 milhões de anos. Seria mais razoável pensar que ela teria se originado na grande nuvem Magellanic, um satélite de nossa galáxia. O novo estudo descarta as suposições.

Esta ilustração mostra um possível mecanismo de como a estrela HE 0437-5439 adquiriu energia suficiente para ser ejetada da Via Láctea. Neste cenário, um sistema triplo de estrelas, constituído de um sistema binário próximo e outro membro externo ligado ao grupo, está orbitando perto do monstruoso buraco negro da galáxia. Uma estrela é capturada pelo buraco negro, e as duas restantes são ejetadas violentamente para fora. Com as velocidades da dupla através da galáxia, um membro evolui de forma mais rápida e consome o outro. A estrela rejuvenescida resultante, massiva e muito azul, é chamada de errante azul (blue straggler em inglês). Crédito: NASA, ESA, e A. Feild (STScI)

Esta ilustração mostra um possível mecanismo de como a estrela HE 0437-5439 adquiriu energia suficiente para ser ejetada da Via Láctea. Neste cenário, um sistema triplo de estrelas, constituído de um sistema binário próximo e outro membro externo ligado ao grupo, está orbitando perto do monstruoso buraco negro da galáxia. Uma estrela é capturada pelo buraco negro, e as duas restantes são ejetadas violentamente para fora. Com as velocidades da dupla através da galáxia, um membro evolui de forma mais rápida e consome o outro. A estrela rejuvenescida resultante, massiva e muito azul, é chamada de errante azul (blue straggler em inglês). Crédito: NASA, ESA, e A. Feild (STScI)

Agora os cientistas estão lidando com outras hipóteses. A estrela é uma “errante azul” – uma estrela que parece ser muito mais jovem do que realmente é, porque ela é, na verdade, duas estrelas pequenas que colapsaram em uma maior.

Segundo Gnedin, ela é a estrela mais massiva de todas as estrelas com hipervelocidade já encontradas e parece que tem uma vida curta, cerca de cinco vezes mais curta que o tempo estimado pra viajar do centro da galáxia para sua posição atual, se ela fosse ejetada. “A solução para o problema é que ela é uma ‘errante azul’, um sistema de duas estrelas que foram ejetadas juntas e fundidas durante o voo”. Esta hipótese permite pensar que ela, de fato, se originou no centro da galáxia.

Já foram descobertas 16 estrelas com supervelocidade. A Via Láctea tem bilhões delas.

Rastrear os padrões de estrelas supervelozes viajando no espaço pode ajudar os astrônomos a mapear a forma e o potencial gravitacional de nossa galáxia.

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