Estresse psicológico pode levar ao encurtamento de telômeros

Extremidades dos cromossomos podem sofrer danos maiores com traumas emocionais, mas exercícios físicos combatem o problema.

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04 Abril 2011 | 19h06

Telômeros são estruturas constituídas por fileiras repetitivas de proteínas e DNA não codificante que formam as extremidades dos cromossomos. Crédito: Yale.

Telômeros são estruturas constituídas por fileiras repetitivas de proteínas e DNA não codificante que formam as extremidades dos cromossomos. Crédito: Yale.

Pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Francisco, nos EUA, estão demonstrando que o estresse psicológico pode levar a telômeros – as capas que protegem as extremidades dos cromossomos – mais curtos. As descobertas sugerem também que exercícios podem evitar este dano, endossando mais uma vez que atividades físicas podem atuar de forma benéfica para a saúde.

A equipe concentrou seus esforços em três grupos: mulheres na pós-menopausa que eram as principais responsáveis em famílias com algum membro com demência; jovens e adultos de meia-idade com transtorno de estresse pós-traumático, e mulheres saudáveis entre 50 e 65 anos que não fumavam. Os pesquisadores examinaram os telômeros em leucócitos, ou células brancas do sangue, do sistema imunológico, que defende o corpo dos agentes infecciosos e danos celulares.

“Nossas descobertas sugerem que estresses traumáticos e crônicos estão associados ao encurtamento dos telômeros nas células do sistema imunológico, mas que a atividade física pode moderar este impacto”, diz Jue Lin, co-autor do estudo.

Marcadores do envelhecimento

Os telômeros são pequenas unidades de DNA na extremidade dos cromossomos que protegem e estabilizam os mesmos. Cada vez que uma célula se divide, alguns telômeros acabam “caindo fora” do cromossomo. Após um determinado número de divisões celulares, que varia dependendo do tipo celular, os telômeros atingem um comprimento crítico e a célula normalmente morre. Às vezes, porém, as células deixam de se dividir e ficam sujeitas a instabilidades no genoma, promovendo a inflamação no corpo.

Cientistas já sabem há mais de uma década que o comprimento dos telômeros em células do sistema imunológico é um marcador do envelhecimento celular. Nos últimos anos, eles descobriram que os telômeros mais curtos são associados a uma ampla gama de doenças relacionadas ao envelhecimento e é preditivo de incidência e prognóstico de doenças cardiovasculares e vários tipos de câncer.

Um estudo conduzido em 2004 por pesquisadores da UCSF já havia sugerido que a mente poderia afetar os telômeros. A equipe relatou que a percepção do estresse psicológico em mulheres cuidadoras de crianças cronicamente doentes estavam relacionadas a presença de telômeros mais curtos nos linfócitos, células chave do sistema imunológico. Foi a primeira evidência de que a manutenção dos telômeros medeia potencialmente os efeitos prejudiciais do estresse sobre a saúde.

De acordo com os pesquisadores, o pessimismo pode estar associado a altos níveis de uma proteína pró-inflamatória frequentemente associada ao envelhecimento e doenças – e telômeros curtos. Uma análise mais recente mostra que isso é verdadeiro em mulheres que não se exercitam. Um segundo trabalho demonstra que a exposição traumática na infância ou antes dos 14 anos também está associada ao encurtamento dos telômeros, embora pessoas que se exercitam ao menos três vezes por semana não apresentem o mesmo quadro.