Estrogênio pode proteger sistema cardiovascular sem riscos

Identificados mecanismos biológicos pelos quais o hormônio atua no corpo de forma apenas benéfica, sem aumentar risco de câncer.

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23 Junho 2010 | 15h52

Philip Shaul, à direita, e Ken Chambliss lideraram a pesquisa. Crédito: UT Southwestern Medical Center.

Philip Shaul, à direita, e Ken Chambliss lideraram a pesquisa. Crédito: UT Southwestern Medical Center.

Estudos já demonstraram que o uso do estrogênio pode aumentar moderadamente o risco de câncer. Agora, pesquisadores da Universidade do Texas, nos EUA, identificaram mecanismos biológicos pelos quais o hormônio atua de forma benéfica sobre o sistema cardiovascular – independente de sua ação “cancerígena”. O estudo pode levar ao desenvolvimento de medicamentos que utilizem apenas esta característica.

“Encontrar uma forma de obter os efeitos benéficos do estrogênio sem aumentar o risco de uma mulher ter câncer é algo que pode fazer uma grande diferença para um monte de gente”, diz Phillip Shaul, professor de pediatria envolvido na pesquisa.

Para chegar aos resultados, a equipe criou e testou em camundongos uma molécula sintética. “Nós descobrimos que uma pequena população de receptores de estrogênio fora do núcleo das células endoteliais tem um único meio de ativar o crescimento e a migração celular, que são importantes para a manutenção e reparo de vasos sanguíneos, bem como para regular a produção de óxido nítrico, que é uma molécula protetora do sistema vascular”, explica Shaul.


Como a maioria dos medicamentos com estrogênio altera a função dos receptores nucleares, acabam estimulando o crescimento da célula cancerosa. No caso da molécula sintética, o alvo é apenas receptores de estrogênio não-nucleares. Ratos tratados com a droga experimental tiveram artérias desobstruídas.

Embora a molécula tenha sido testada apenas em roedores, a equipe espera criar moléculas semelhantes que possam ser usadas em seres humanos. De acordo com os pesquisadores, a abordagem pode promover a saúde dos vasos sanguíneos sem induzir outras doenças.

O estrogênio é geralmente administrado em mulheres na menopausa, quando o risco de doenças cardíacas aumenta. O hormônio ajuda a proteger as mulheres de ataques cardíacos, osteoporose e AVCs, mas também pode estimular o crescimento de tumores nos tecidos reprodutivos.

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