Gatinho feroz: estudo avalia a força do extinto tigre dente de sabre

Você já se imaginou enfrentando um tigre? Pois isto não é nada se comparado a uma luta com um tigre dente de sabre.

taniager

04 Julho 2010 | 17h26

Os tigres dente de sabre são conhecidos por seus enormes caninos, mas eles também tinham membros dianteiros excepcionalmente fortes para fixar a presa antes de dar a mordida fatal. Crédito: Wikimedia.

Os tigres dente de sabre são conhecidos por seus enormes caninos, mas eles também tinham membros dianteiros excepcionalmente fortes para fixar a presa antes de dar a mordida fatal. Crédito: Wikimedia.

Você já se imaginou enfrentando um tigre? Pois isto não é nada comparado a uma luta com um tigre dente de sabre. Fugir então seria impossível.

Um estudo realizado por paleontólogos do National Evolutionary Synthesis Center, em Durham, EUA, usando análises por raios-X, revelou que os extintos tigres dente de sabre eram excepcionalmente mais fortes que seus primos felinos atuais.

Os tigres dente de sabre são conhecidos por seus enormes caninos, mas eles também tinham membros dianteiros excepcionalmente fortes para fixar a presa antes de dar a mordida fatal.

Comumente conhecido como “tigre dente de sabre”, o felino extinto Smilodon  fatalis vagou pelas Américas há 10 mil anos atrás, como predador de grandes mamíferos, como búfalos, mastodontes e mamutes. Pistas encontradas nos ossos e dentes sugerem que ele confiava em suas presas e pernas dianteiras para capturar e matar suas caças.

Julie Meachen-Samuels, autora do estudo em conjunto com Blaire Van Valkenburgh da Universidade da California, EUA, argumenta que os caninos do tigre extinto, embora superdimensionados, eram muito frágeis por serem longos e terem um formato oval, diferente do formato cônico dos caninos de outros felinos.

 “Muitos cientistas acreditam que os tigres dente de sabre matavam suas presas de uma forma diferente da de outros felinos, porque os seus dentes eram mais finos proporcionalmente”, disse Meachen-Samuels. Mas eles podem ter usado os seus braços musculosos para imobilizar a caça e, assim, impedir que seus dentes se fraturassem.

As imagens de raio-X mostram as dimensões seccionais transversais do osso superior do membro anterior de um jaguar (A e B) comparado ao do tigre dente de sabre (C e D). Crédito: cortesia de Julie Meachen-Samuels.

As imagens de raio-X mostram as dimensões seccionais transversais do osso superior do membro anterior de um jaguar (A e B) comparado ao do tigre dente de sabre (C e D). Crédito: cortesia de Julie Meachen-Samuels.

Para estimar o quão forte eram estes tigres em relação a outros felinos, os pesquisadores usaram raios-X para medir as dimensões da secção transversal dos ossos dos membros exteriores de fósseis. Eles também mediram os ossos dos membros de 28 espécies de felinos que vivem hoje – animais que variam de tamanho desde o gato-maracajá com 2,72 kg até o tigre que pesa cerca de 270 kg –, bem como o extinto leão americano, o maior felino com dentes cônicos.

Os investigadores usaram as medidas das secções transversais para estimar a força e a rigidez do osso em cada espécie. Quando eles cruzaram os dados de rigidez com o respectivo comprimento de cada uma das 30 espécies de felinos do estudo, as espécies com membros mais longos, geralmente tinham ossos mais fortes. Mas os dados para o tigre dente de sabre ficou bem fora do padrão normal: enquanto seus ossos das pernas estavam dentro da escala de tamanho de outros felinos, seus ossos dos braços eram excepcionalmente grossos para o seu comprimento.

Os ossos do braço do tigre dente de sabre não tinham apenas um diâmetro maior que o de outros felinos, eles também tinham o osso cortical mais espesso. O osso cortical é a camada densa externa que torna os ossos fortes e duros.

O resultado da análise demonstra que os ossos do tigre extinto estavam sob maior tensão. A tensão repetida de luta com a presa pode ter resultado em ossos do braço mais grossos e mais fortes nestes tigres.

“Os resultados nos dão novas informações sobre o quão forte eram os seus membros anteriores e como eles foram construídos”, acrescentou. “Este é o primeiro estudo que examina os ossos dos membros anteriores deste tigre para determinar com exatidão o quanto de estresse e tensão eles podiam suportar.”