Estudo avalia influência emocional no diagnóstico de pacientes terminais

Profissionais são afetados pelo peso emocional de um diagnóstico, que no imaginário social equivale a uma “condenação”.

taniager

13 Julho 2010 | 14h26

As dificuldades nos diferentes aspectos do diagnóstico poderiam estar afetando a decisão sobre o início de medidas paliativas para pacientes terminais. Crédito: cortesia de Universidade de Granada.

As dificuldades nos diferentes aspectos do diagnóstico poderiam estar afetando a decisão sobre o início de medidas paliativas para pacientes terminais. Crédito: cortesia de Universidade de Granada.

O resultado de uma pesquisa realizada na Universidade de Granada, Espanha, revela que não existem critérios válidos e aceitáveis para diagnosticar um paciente terminal, dado que o peso das emoções no juízo clínico é relevante no diagnóstico. O estudo foi publicado recentemente na revista International Journal of Clinical and Health Phychology.

O estudo qualitativo contou com uma amostra de 42 entrevistas em profundidade com profissionais da saúde – 21 médicos e 21 enfermeiros –, os quais trabalham com doentes terminais, e/ou enfermidades avançadas, na rede de saúde pública, mista e privada de Granada.

O resultado mostrou que os profissionais da saúde percebem as dificuldades nos diferentes aspectos do diagnóstico. Estas dificuldades poderiam estar afetando a decisão sobre o início de medidas paliativas para certo número de pacientes? Se sim, existe uma perda de tempo valioso para aqueles que já não o tem, sem assistência e sem medidas específicas para abordar o sofrimento e a qualidade de vida do período final da mesma.

Mais além, os autores do estudo ressaltam a distorção do sentido e da função dos cuidados paliativos, uma vez que os profissionais se sentem afetados pelo peso emocional de um diagnóstico, que no imaginário social equivale a uma “condenação”.

A maioria dos médicos e enfermeiros entrevistados identifica um paciente como “terminal” quando a situação é pré-agônica ou claramente agônica.

O trabalho chama a atenção para o costume de se utilizar de maneira tão restritiva um diagnóstico que permitiria uma mudança na orientação terapêutica e o início de medidas especiais de atenção e assistência ao enfermo e a sua família.

Do mesmo modo, ele chama a atenção sobre a falta de referências na bibliografia sobre o peso emocional que os profissionais da saúde suportam diante de um diagnóstico de enfermidade terminal, aparecendo no estudo como um fator chave para explicar por que é problemático usar este diagnóstico, especialmente no âmbito hospitalar.