Estudo mostra que microvasos podem "limpar" bloqueios no cérebro

Vasos sanguíneos conseguem remover coágulos e outros bloqueios que afetam o fluxo sanguíneo no cérebro por meio de abertura.

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26 Maio 2010 | 14h44

Evolução do processo mostra que no primeiro dia a membrana interior do vaso sanguíneo começa a se estender em torno do bloqueio de colesterol (laranja). No terceiro dia, o colesterol é cercado completamente e o corpo criou um caminho no vaso para expulsá-lo. No quinto dia, o que antes bloqueava o fluxo sanguíneo já está fora do vaso. Crédito: C.K. Lam, et al. Nature, de 2010.

No primeiro dia, a membrana interior do vaso sanguíneo começa a se estender em torno do bloqueio de colesterol (laranja). No terceiro dia, o colesterol é cercado completamente e o corpo criou um caminho no vaso para expulsá-lo. No quinto dia, o que antes bloqueava o fluxo sanguíneo já está fora do vaso. Crédito: C.K. Lam, et al. Nature, de 2010.

Roedores podem dar pistas sobre o envelhecimento, acidentes vasculares e Alzheimer, mostrando um novo mecanismo até então desconhecido no nosso organismo. Pesquisadores da Northwestern University, nos EUA, identificaram em camundongos um sistema de proteção por meio do qual vasos sanguíneos removem coágulos e outros bloqueios no cérebro.

Em um cérebro saudável, o fluxo do sangue é contínuo, permitindo que todas as funções aconteçam sem problemas. Por mais pequenos que sejam, bloqueios podem afetar o processo se forem persistentes, reduzindo ou interrompendo a circulação sanguínea e limitando o suprimento de oxigênio e nutrientes para as células nervosas e tecidos. Isso pode bloquear a comunicação entre os neurônios e ocasionar a morte celular.

Mas agora os pesquisadores conseguiram observar vasos sanguíneos minúsculos, chamados de microvasos, em cérebros de ratos vivos. Por meio de uma nova técnica de imagem, a equipe pôde ver que depois de dois a sete dias após o bloqueio de algum microvaso no cérebro, as células que revestem a parede dos vasos sanguíneos literalmente engolem o que está interrompendo o fluxo adequado do sangue. Depois, expulsam o material para fora do caminho. Assim, o fluxo sanguíneo é restaurado.

“Estas descobertas são fascinantes”, diz Richard J. Hodes, diretor do National Institute of Health, departamento de saúde dos EUA. “Isso abre novos caminhos para a pesquisa básica, que pode aumentar nossa compreensão de como microvasos são mantidos no cérebro e em todo o corpo”.

A pesquisa não parou por aí: a equipe demonstrou também que este mecanismo de proteção envolve a atividade da enzima metaloprotease. Sua função é quebrar grandes proteínas, desempenhando um papel importante no desenvolvimento dos vasos sanguíneos do corpo.

Envelhecimento e faxina cerebral

Como era de se esperar, o envelhecimento pode desacelerar o processo. Em camundongos jovens, por exemplo, a limpeza dos microvasos foi bem mais rápida e profunda do que em roedores velhos. A remoção incompleta nos ratos mais velhos ocasionou a perda de conexão entre células nervosas nas proximidades dos vasos obstruídos.

De acordo com os pesquisadores, a redução desta capacidade do organismo em “limpar” vasos bloqueados pode ajudar na compreensão dos mecanismos pelos quais fatores de risco como hipertensão e diabetes podem aumentar o risco do Alzheimer ao longo do tempo.

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