Encontradas pistas de como macrófagos podem causar inflamações

Resposta protetora do corpo às vezes pode levar a inflamações persistentes, que desencadeiam doenças e são dificilmente tratadas.

root

15 Julho 2010 | 16h09

Macrófagos de rato formando dois processos para fagocitar duas partículas menores, possivelmente patógenos. Crédito: Wikimedia Commons.

Macrófagos de rato formando dois processos para fagocitar duas partículas menores, possivelmente patógenos. Crédito: Wikimedia Commons.

Os macrófagos, células do sistema imunológico que entram em ação quando uma ameaça é detectada pelo organismo, cercam e destroem vírus, bactérias ou até mesmo células cancerosas. Entretanto, a resposta protetora pode levar a uma inflamação persistente. Esta, por sua vez, pode causar doenças. O limite entre um “bom soldado” para um “soldado ruim” nunca tinha sido compreendida a fundo, mas cientistas da Universidade da Flórida, nos EUA, parecem ter encontrado várias pistas sobre os mecanismos envolvidos no processo.

Focando suas atenções no vírus HIV e artrite reumatoide, os pesquisadores identificaram alterações em proteínas específicas associadas à ação dos macrófagos – glóbulos brancos do sangue que são essenciais para que o corpo reaja naturalmente a infecções.

Macrófagos e o HIV

Pacientes com HIV são submetidos a terapias antiretrovirais potentes. No entanto, mesmo que sobrevivam por décadas, estas pessoas tendem a apresentar condições inflamatórias que causam demência ou doenças cardiovasculares.

A equipe passou a estudar a forma de ativação do macrófago, pela chamada translocação microbiana (passagem de produtos microbianos para a circulação). Uma das proteínas relacionadas com o patógeno espalhado no sangue de portadores de HIV, a LPS – associada à evolução da doença – mostrou ter um papel fundamental na ativação dos macrófagos e células precursoras.

“Isto estabelece um fase para começarmos a desamarrar as contribuições relativas de diferentes causas para a ativação imune em pessoas com HIV”, diz Mark Wallet, primeiro autor do estudo. “Podemos eventualmente usar a informação para melhor tratar as infecções de HIV tomando como alvo a inflamação que causa tantas doenças em longo prazo”.

Macrófagos e artrite reumatoide

No caso da artrite reumatoide, a equipe se empenhou no estudo do interferon gama. Produzido em articulações inflamadas, a molécula dispara um processo do sistema imunológico natural para inibir ou promover a inflamação. Os pesquisadores observaram que macrófagos agem para elevar a produção de duas proteínas que causam a inflamação na presença do interferon gama, e suprimir uma proteína que normalmente regula respostas imunológicas normais.

“Estamos lutando para dissecar os eventos iniciais que levam à inflamação crônica”, ressalta Wallet. “Ativação celular imunológica e inflamação podem se tornar processos autossustentáveis que são difíceis de silenciar uma vez que a doença tenha progredido muito”.

Impressão digital celular

Para analisar mais sobre o papel da LPS e do interferon gama, os pesquisadores se valeram da chamada proteômica – o estudo do conjunto de proteínas contidas em uma célula e que são determinadas pelo genoma, nosso código genético. Esta abordagem permite identificar mudanças específicas e difere muito dos antigos métodos que dependiam de medição de secreções e biomarcadores produzidos como resultado de transformações não especificadas nas células.

Veja também:

Nem só de batalha: anticorpos também atuam como enfermeiros
Anticorpos podem bloquear principal porta de entrada do vírus da aids
Salmonela pode ajudar a explicar rara doença inflamatória humana
Cientistas descobrem meio de bloquear proteína que “ajuda” células do câncer
Interferon gama conclama células-tronco do sangue durante infecções