Estudo dá novos insights sobre os primórdios do Sistema Solar

Primeiras pedras do nosso "bairro cósmico" eram frágeis e extremamente porosas, sendo compactadas em períodos de turbulência extrema.

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28 Março 2011 | 09h49

Um estudo realizado pela Imperial College London, na Inglaterra, fornece novos insights sobre os primórdios do Sistema Solar: as primeiras pedras do nosso “bairro” cósmico estavam mais para algodão doce do que para as sólidas estruturas que podemos observar hoje. De acordo com os pesquisadores, esta é a primeira evidência geológica que apoia teorias anteriores baseadas em modelos computacionais e experimentos de laboratório para sugerir como as primeiras pedras foram formadas. O trabalho sustenta a ideia de que o primeiro material sólido no nosso sistema solar era frágil e extremamente poroso, sendo compactado em períodos de turbulência extrema para formar os blocos de construção que pavimentaram o caminho para planetas como a Terra.

“Nosso estudo nos convence ainda mais de que as primeiras rochas de condritos carbonáceos foram moldadas por turbulentas nebulosas através da qual viajavam há milhares de anos, da mesma maneira que os seixos dos rios são alterados quando submetidos a altas turbulências da água”, explica Phil Bland, principal autor do estudo. “Nosso trabalho sugere que a turbulência fez com que estas primeiras partículas se compactassem e endurecessem com o tempo, para formar as primeiras pedras pequenas”.

Para chegar a este resultado, a equipe realizou uma análise detalhada de um fragmento de asteroide conhecido como meteorito condrito carbonáceo, que veio do cinturão de asteroides localizado entre Júpiter e Marte. Foi originalmente formado no início do Sistema Solar, quando microscópicas partículas de poeira colidiram com outras e se colaram. Para analisar a amostra de condrito carbonáceo, os pesquisadores utilizaram uma técnica de difração de elétrons retroespalhados – que dispara elétrons na amostra. A partir disso, observaram o padrão de interferência resultante usando um microscópio para estudar a parte interna das estruturas.

“O interessante nesta abordagem é que ela permite reconstruir pela primeira vez e de forma quantitativa a história de acreção e impacto dos mais primitivos materiais do Sistema Solar em detalhes”, diz Bland. “Nosso trabalho é mais um passo no processo que está nos ajudando a ver como os planetas e luas rochosas que formam as peças do nosso Sistema Solar passaram a existir”.