Malária: estudo mostra como parasita altera glóbulos vermelhos

taniager

21 Dezembro 2010 | 12h51

O parasita da malária no interior de um glóbulo vermelho, à esquerda, e em um modelo gerado por computador. A infecção palúdica inibe o fluxo de sangue através de vasos capilares. Crédito: George Karniadakis / Brown University.

O parasita da malária no interior de um glóbulo vermelho, à esquerda, e em um modelo gerado por computador. A infecção palúdica inibe o fluxo de sangue através de vasos capilares. Crédito: George Karniadakis / Brown University.

A malária é uma doença infecciosa causada pelo protozoário Plasmodium, transmitido pela picada do mosquito Anopheles. A grande dificuldade de encontrar um tratamento para a doença decorre da impossibilidade de rastrear o deslocamento deste parasita no organismo. Agora, pesquisadores da Universidade de Brown e do MIT (Massachusetts Institute of Technology), ambos nos EUA, usaram modelos computacionais avançados e experimentos de laboratório para mostrar como os parasitas da malária alteram as células vermelhas do sangue e como as células infectadas impedem o fluxo de sangue para o cérebro e outros órgãos importantes.

Os resultados do estudo, publicados na revista Proceedings of National Academy of Sciences recentemente, podem ajudar médicos a mapear, em tempo real, o acúmulo no corpo de células infectadas com malária ou outras doenças (como a anemia falciforme) e a prescrever um tratamento adequado.

Os pesquisadores trabalharam com o Plasmodium falciparum, parasita que pode causar a malária cerebral, especialmente entre as crianças. O parasita é encontrado em todo mundo, mas é mais comum na África.

Uma vez introduzido no corpo humano por picada de um mosquito infectado, o parasita invade células vermelhas do sangue. Os glóbulos vermelhos saudáveis são tremendamente elásticos –podem chegar a 8 mícrons de comprimento e 2 mícrons de espessura – e podem deslizar facilmente através de um capilar de apenas 3 mícrons de diâmetro. Os capilares são condutos vitais no cérebro humano e em outros órgãos por onde passam as células vermelhas do sangue, transportadores chave de oxigênio e nutrientes.

Através de modelagem ampla realizada em um dos supercomputadores mais rápidos do mundo, no Instituto Nacional de Ciências da Computação, EUA, Karniadakis e colegas descobriram que os glóbulos vermelhos infectados pela malária endurecem cerca de 50 vezes mais do que os glóbulos vermelhos saudáveis. Estes glóbulos infectados perdem sua elasticidade e não podem passar pelos capilares. O resultado é a aglomeração destas células infectadas nos pequenos canais, bloqueando-os.

Segundo Karniadakis, “o que acontece é que o cérebro pode ser privado de nutrientes e oxigênio devido à deformação das células vermelhas do sangue”. Acrescenta que “quando a rigidez das células vermelhas do sangue aumenta, a viscosidade do sangue também aumenta e o coração tem que bombear em dobro para obter o fluxo de sangue necessário”.

Os pesquisadores também descobriram que os glóbulos vermelhos infectados têm uma tendência para ficar depositados ao longo das paredes dos vasos sanguíneos – ao contrário das células saudáveis do sangue que fluem no meio do canal. Por razões desconhecidas, os glóbulos vermelhos infectados desenvolvem pequenas protuberâncias que fixam as células infectadas na superfície da parede arterial, conhecida como endotélio. Isto muda o fluxo do sangue no cérebro, especialmente nas artérias e nos capilares.

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malaria
Malaria: Study shows how parasites alter red blood cells