Crianças concebidas no inverno podem possuir alto risco para autismo

Risco de uma criança apresentar autismo cresce progressivamente entre outono e início da primavera.

taniager

05 Maio 2011 | 12h29

Irva Hertz-Picciotto. Crédito: Universidade da Califórnia/UC Davis Health System.

Irva Hertz-Picciotto. Crédito: Universidade da Califórnia/UC Davis Health System.

Um exame dos registros de nascimento dos mais de sete milhões de crianças nascidas no estado da Califórnia, EUA, durante a década de 1990 e início de 2000 encontrou uma ligação clara entre o mês em que uma criança é concebida e o risco de vir a receber um diagnóstico de autismo mais tarde. Em artigo publicado no site da revista EPIDEMIOLOGY hoje, os cientistas explicam os resultados da pesquisa. 

O número total de registros incluídos no estudo foi de aproximadamente 6,6 milhões, ou 91 % de todos os nascimentos registrados durante o período de estudo. As crianças foram acompanhadas até seus sextos aniversários para determinar se desenvolveriam autismo.

Entre as crianças incluídas no estudo, aquelas concebidas durante o inverno tiveram um risco significativamente maior de autismo. O risco de ter uma criança com uma desordem de espectro autista cresceu progressivamente durante o período entre outono e início da primavera – crianças concebidas em março tinham um risco maior que 16% para diagnósticos de autismos posteriores, quando comparadas àquelas concebidas em julho, verão na região.

“A conclusão do estudo levou em conta fatores como educação materna, etnia/raça e o ano de da concepção da criança,” disse o principal autor do estudo Ousseny Zerbo, estudante de doutorado no grupo de pós-graduação em epidemiologia no departamento de Ciências da Saúde Pública da faculdade de medicina da Universidade da Califórnia de Davis, EUA.

Segundo declaram os pesquisadores, a descoberta sugere que fatores ambientais – por exemplo, exposição às viroses sazonais como a gripe – podem desempenhar um papel importante no aumento da taxa de risco para o autismo encontrado em crianças concebidas durante o inverno.

Irva Hertz-Picciotto, chefe da Divisão de Saúde Ambiental e Ocupacional no mesmo departamento da referida universidade, argumenta que os estudos de variações sazonais podem fornecer pistas sobre algumas das causas subjacentes do autismo. “Com base neste estudo, pode ser proveitosos para perseguir os riscos que mostram padrões sazonais similares, tais como infecções e deficiências nutricionais suaves”.

Em contrapartida, Hertz-Picciotto acrescenta que o momento de susceptibilidade pode não ser o da concepção. Ao contrário, por exemplo, poderia ser uma exposição no terceiro mês de gravidez, ou no segundo trimestre, que seria prejudicial. “Se for assim, precisamos olhar para os riscos que ocorrem poucos meses depois de concepções que estão em maior risco. Por exemplo, alergênicos com pico na primavera e no início do verão.”

Juntamente com Hertz-Picciotto, os membros da equipe Iosif Ana Maria, Lora Delwiche e Cheryl Walker argumentam que o estudo é um ponto de partida para uma investigação complementar. Outras ocorrências sazonais incluem exposições potenciais a pesticidas, tais como os usados em casa para controlar insetos nos meses quentes ou chuvosos e os utilizados em aplicações agrícolas.